Estudantes são investigados por fraude na Prova Paraná Mais 2025 em Tapejara
Fraude na Prova Paraná: estudantes investigados em Tapejara

Investigação aponta fraude em prova que dá acesso a universidades públicas no Paraná

Cinco estudantes aprovados em cursos de Medicina através do programa Aprova Paraná Universidades estão sendo investigados por suposta fraude na Prova Paraná Mais 2025, avaliação que concede acesso a vagas em instituições públicas de ensino superior do estado. Os alunos, que não tiveram seus nomes revelados, realizaram a seleção na mesma sala do Colégio Estadual Santana de Tapejara, município com 15.869 habitantes localizado no noroeste paranaense.

Padrões de resposta inconsistentes levantam suspeitas

A investigação da Polícia Civil do Paraná (PC-PR) teve início após denúncia da Secretaria de Estado de Educação (Seed-PR), responsável pela administração do programa. Segundo Anderfabio Oliveira, diretor de Educação da Seed-PR, os estudantes investigados apresentaram respostas com padrão "avançado" na prova, embora anteriormente demonstrassem desempenho "básico" ou "abaixo do básico".

"Nós temos um resultado que é embasado pela Teoria de Resposta ao Item, uma teoria utilizada também em outras avaliações, como o Enem. Conseguimos, de forma muito precisa, cruzar os padrões de desempenho. Esses estudantes estavam, por exemplo, no básico ou abaixo do básico, e de repente apresentaram padrão de resposta avançada", explicou o diretor em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Uso de celulares durante a prova e envolvimento de fiscal

A delegada Taís de Melo revelou que os alunos confessaram ter utilizado celulares durante a realização da Prova Paraná Mais, obtendo assim as respostas corretas. "Esses alunos já foram ouvidos e relataram que utilizaram o celular na hora da prova. A princípio, partiu deles essa conduta, mas tudo ainda está sendo apurado", afirmou a delegada.

A fiscal responsável pela aplicação da prova na sala também é alvo das investigações e de medidas de busca. Ela, que não é contratada pela Seed-PR, é suspeita de "facilitar ou se omitir" durante a realização do exame, conforme informações da polícia. Seu nome também não foi divulgado.

Desempenho discrepante e abrangência do caso

A apuração mostrou que os estudantes tiveram pontuações no topo do ranking estadual na prova objetiva, mas apresentaram média entre 560 e 620 pontos na redação, valor significativamente inferior à média de 840 pontos alcançada por outros aprovados pelo estado.

No total, sete alunos de Tapejara são investigados. Cinco foram aprovados em Medicina na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Dois obtiveram aprovação em cursos diferentes: Engenharia de Alimentos na UEM e Enfermagem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), sendo que neste último caso a estudante não realizou matrícula na graduação.

Operação policial e possíveis consequências

Na quarta-feira (25), foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Londrina, Maringá, Tapejara e Ponta Grossa. Dos sete estudantes envolvidos, apenas um tem mais de 18 anos. Se confirmado o esquema, ele e a fiscal podem responder por fraude a certames de interesse público e corrupção de menores, enquanto os adolescentes podem responder por ato infracional análogo a fraude a certames de interesse público.

Universidades acompanham investigações

As instituições de ensino superior envolvidas manifestaram posicionamento sobre o caso. A UEPG informou que está colaborando com as investigações e que tomará medidas cabíveis caso se comprove qualquer irregularidade. A universidade destacou que o Aprova Paraná Universidades é "uma forma reconhecidamente segura e democrática de ingresso" que deve ser defendida.

A UEL afirmou que acompanha a operação da Polícia Civil e está à disposição para colaborar, reafirmando seu compromisso com a lisura no ingresso ao ensino superior público. A universidade explicou que, caso sejam confirmadas irregularidades envolvendo estudantes matriculados, serão adotadas medidas judiciais cabíveis, incluindo a anulação das matrículas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A UEM esclareceu que acompanhou o cumprimento do mandado e colabora integralmente com a Seed e autoridades policiais, adotando medidas administrativas e legais pertinentes conforme o avanço do processo.

Sobre o programa Aprova Paraná Universidades

Lançado em 2024 pelo Governo do Paraná, com a primeira prova aplicada em 2025, o Aprova Paraná Universidades reserva 20% das vagas nas sete universidades estaduais para alunos da rede pública de ensino. A seleção ocorre por meio da nota obtida na Prova Paraná Mais, aplicada em novembro de 2025 nas escolas da rede estadual em formato impresso.

Os componentes curriculares avaliados incluem Língua Portuguesa, Literatura, Matemática, Arte, Educação Física, Língua Inglesa, Redação, Geografia, História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Física e Química. As vagas são destinadas às universidades estaduais do Paraná: Unespar, UEM, UEL, UENP, Unioeste, Unicentro e UEPG.

A participação no Aprova Paraná não impede que os alunos da rede pública tentem ingresso nas universidades por outras formas, como vestibulares próprios das instituições ou através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).