Família desaparece há 65 dias no RS; ex-companheiro é principal suspeito
Família desaparece há 65 dias no RS; ex-companheiro é suspeito

Família desaparece há 65 dias no Rio Grande do Sul; investigação segue com ex-companheiro como principal suspeito

Há exatos 65 dias, a família Aguiar, de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, desapareceu sem deixar rastros. Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar, foram vistos pela última vez no final de janeiro, e desde então, vizinhos, parentes e amigos buscam por respostas sobre o paradeiro deles. O caso, que mobiliza a comunidade local, segue sendo investigado pela Polícia Civil, com o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, como principal suspeito. Ele está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.

Motivação do crime pode estar ligada a desavenças na criação do filho

De acordo com as investigações, o crime teria sido motivado por tensões na criação do filho do casal. Silvana havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que Cristiano não seguia suas orientações nos cuidados com o menino, que possui restrições alimentares. "A gente tem já na investigação formalizado que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho", afirma o delegado Anderson Spier. Ele acrescenta que a mãe estaria planejando entrar com um processo judicial contra o pai, o que pode ter sido o gatilho para a ação criminosa.

Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar possuía diversos bens, incluindo imóveis e apartamentos de aluguel. "Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto", explica Spier.

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Protestos e novos suspeitos na investigação

Moradores da região e parentes da família se reuniram recentemente para protestar, pedindo maior agilidade nas investigações. "A gente aguentou até agora, a gente esperou até agora. Respeitamos o tempo da polícia para averiguações das provas, para inquérito, tudo. Mas hoje são 64 dias sem respostas", disse Débora Marques Gonçalves, amiga da família.

Além de Cristiano, três pessoas ligadas ao policial militar passaram à condição de suspeitas por atrapalharem as investigações. Segundo a polícia, elas são:

  • Uma mulher, profissional de TI, suspeita de apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem, sendo investigada por fraude processual.
  • Um familiar do PM, suspeito de deletar imagens de câmeras da casa onde moram familiares de Cristiano, também por fraude processual.
  • Um amigo de Cristiano, investigado por falso testemunho, após mentir para dar falsos álibis ao principal suspeito.

O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso, enquanto as defesas dos outros suspeitos não foram localizadas.

Linha do tempo detalha os principais acontecimentos

O caso teve início com Silvana buscando o Conselho Tutelar em janeiro. No fim de semana dos desaparecimentos, em 24 de janeiro, ela foi vista pela última vez, com uma publicação falsa em redes sociais sobre um acidente em Gramado. Imagens de segurança mostraram movimentação atípica de veículos em sua residência.

No dia seguinte, os pais de Silvana saíram para procurá-la e foram vistos entrando em um carro não identificado, desaparecendo desde então. As investigações formais começaram em 27 de janeiro, com a polícia encontrando vestígios de sangue na casa de Silvana e um cartucho de festim na casa dos idosos.

Em fevereiro, Cristiano foi preso após quebra de sigilo telefônico, e buscas com cães foram realizadas em áreas rurais. Silvana foi considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026, e a prisão do suspeito foi prorrogada em março. Até o momento, os corpos não foram localizados, e a investigação continua em andamento, com a expectativa de conclusão do inquérito em breve.

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