Ex-vereador de Sumaré vai a júri popular por homicídio após atropelamento e tiros
Ex-vereador de Sumaré vai a júri popular por homicídio

A Justiça da comarca de Sumaré, no interior do estado de São Paulo, decidiu enviar a júri popular o caso do ex-vereador Sirineu Araújo, acusado de assassinar um homem a tiros e ainda atropelar a vítima no ano de 2023. A decisão judicial, divulgada nesta terça-feira, dia 24, foi fundamentada na existência de indícios suficientes de autoria do crime, conforme apontou o magistrado responsável.

Os detalhes do crime violento

O episódio ocorreu na noite de sábado, 19 de agosto de 2023. Um vídeo exclusivo, obtido pela EPTV, afiliada da TV Globo, registrou o momento angustiante em que a vítima, identificada como Rafael Emídio, se arrastava pela via pública após ter sido baleada. Infelizmente, Rafael não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda no local do crime.

Durante seu interrogatório, o ex-vereador Sirineu Araújo sustentou a tese de que agiu em legítima defesa. Ele alegou que vinha sendo alvo de ameaças constantes por parte de Rafael Emídio, o que o teria levado a reagir. Atualmente, Sirineu responde ao processo em liberdade, e a data específica para o julgamento pelo Tribunal do Júri ainda não foi estabelecida pela Justiça.

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Contradições nas versões e evidências forenses

Cinco meses após o homicídio, detalhes cruciais do inquérito policial vieram à tona. Os depoimentos colhidos apresentam versões radicalmente divergentes sobre os acontecimentos. Enquanto o ex-vereador insiste que a arma do crime pertencia à vítima, uma testemunha ocular afirmou categoricamente não ter visto qualquer revólver com Rafael.

Além disso, essa mesma testemunha relatou que Sirineu efetuou disparos em dois momentos distintos, um dado que parece contradizer diretamente a alegação de legítima defesa, que normalmente pressupõe uma reação imediata e proporcional.

A investigação avançou e descobriu que, após o crime, o acusado teria descartado seu próprio celular e a arma utilizada às margens da movimentada Rodovia Anhanguera. Um laudo pericial conclusivo confirmou a presença de sangue humano na parte inferior da caminhonete pertencente a Sirineu, reforçando as acusações.

Repercussões políticas e situação atual

Na época dos fatos, o então vereador Sirineu Araújo chegou a se afastar temporariamente da Câmara Municipal de Sumaré por um período de 60 dias. Contudo, ele retornou ao exercício do mandato em novembro de 2023. Nas eleições municipais de 2024, o político tentou a reeleição para o cargo de vereador, mas não obteve sucesso, recebendo um total de 820 votos.

O advogado de defesa, Alexandre Sanches Cunha, que representa o réu, informou ao g1 que a estratégia da defesa será analisar com extrema cautela os próximos desdobramentos processuais. O caso, que mistura violência, alegações de legítima defesa e contradições testemunhais, agora aguarda a definição de data para ser submetido ao crivo de um júri popular, que decidirá sobre a culpabilidade ou inocência do ex-vereador.

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