Ex-funcionária terceirizada do STJ detalha episódios de assédio sexual por ministro Marco Buzzi
Uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), prestou um depoimento gravado no qual relata múltiplos episódios de assédio sexual por parte do magistrado. Segundo seu testemunho, Buzzi teria tocado suas nádegas, segurado seus braços, mostrado uma foto sensual em seu celular e feito comentários inapropriados durante o período de trabalho entre 2023 e 2025.
Testemunhas confirmam relatos da vítima
Dois servidores do gabinete de Buzzi também foram ouvidos e confirmaram que a ex-funcionária terceirizada relatava os supostos episódios de assédio sexual na época em que ocorriam. As testemunhas afirmaram que tentavam ajudá-la, trocando seu horário de trabalho e substituindo-a em algumas funções sempre que possível.
Uma das servidoras declarou: "Ela me falou que, por vezes, ia atender ao ministro, que ele chamava para fazer alguma coisa, [...] em alguns desses momentos ele apalpou ela, segurou o braço dela". Já um servidor masculino relatou encontrar a funcionária "um pouco chorosa" em várias ocasiões, pedindo para ser substituída em demandas solicitadas por Buzzi.
Detalhes dos episódios de assédio
No depoimento, a ex-funcionária descreveu com precisão vários incidentes:
- Em 2023, enquanto organizava livros nas estantes do gabinete, a mão de Buzzi teria passado sobre suas nádegas
- Em outro momento, quando foi verificar um barulho na despensa, o ministro teria se posicionado atrás dela em um espaço pequeno
- Em episódio mais grave, Buzzi teria dado um tapa em suas nádegas com força enquanto ela caminhava à sua frente
- O magistrado também teria mostrado uma foto de uma mulher só de calcinha em seu celular, perguntando se era ela quem conversava com "essa moça bonita"
A vítima explicou que só tomou coragem para reagir em novembro do ano passado, quando Buzzi teria apertado suas nádegas enquanto ela o ajudava a conectar um pen drive. "Eu segurei a mão dele fazendo força contrária. Quando ele percebeu a resistência, parou e começou a pedir desculpas pela 'brincadeira'", relatou.
Contexto da denúncia e situação atual
A ex-funcionária terceirizada afirmou que só formalizou a denúncia neste ano, após uma jovem de 18 anos ter acionado a polícia contra Buzzi por importunação sexual em uma praia de Santa Catarina, em janeiro. Ela confessou que não denunciou antes por medo das consequências.
Os depoimentos foram prestados no âmbito de um procedimento administrativo que realiza uma apuração preliminar da conduta de Buzzi. O ministro está afastado cautelarmente de suas funções desde 10 de fevereiro, por decisão unânime de seus pares no STJ.
Na próxima terça-feira (14), os membros do tribunal decidirão se abrem ou não um processo administrativo contra Buzzi, que poderá resultar em seu afastamento definitivo do cargo.
Posicionamento da defesa
A defesa do ministro Marco Buzzi emitiu uma nota repudiando o vazamento dos depoimentos. "O ato viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o Tribunal", afirmaram os advogados.
O texto da defesa ainda acrescenta: "Não é casual que todos os vazamentos verificados neste caso tenham envolvido exclusivamente elementos de acusação. Os múltiplos elementos de contraprova e o interrogatório do investigado jamais receberam qualquer publicidade". A defesa expressou confiança na independência do STJ para que "tais manobras não alcancem o efeito pretendido".
O caso continua sob investigação, com a expectativa de que a decisão do STJ na próxima semana defina os rumos do processo administrativo contra o ministro Marco Buzzi.



