Ex-diretora de presídio é solta após ser presa por facilitar fuga de 16 detentos na Bahia
Ex-diretora solta após facilitar fuga de 16 detentos na BA

Ex-diretora de presídio é solta após prisão por facilitar fuga de 16 detentos na Bahia

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou a soltura de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, que estava presa sob suspeita de facilitar a fuga de 16 detentos do presídio. O alvará de soltura foi entregue na unidade na segunda-feira, 16 de março, com previsão de que ela deixe o local acompanhada da filha nesta terça-feira, 17 de março.

Detalhes da fuga e investigações

A fuga ocorreu em dezembro de 2024, quando um grupo de homens armados invadiu o presídio, resultando em dois mortos em confronto com policiais e um recapturado. A polícia continua à procura dos outros 13 foragidos. A operação para investigar o caso incluiu mandados de prisão e busca e apreensão, com a ex-diretora sendo um dos alvos em março deste ano.

Durante as buscas, um suspeito fugiu após atirar contra policiais, e no imóvel foram apreendidas drogas, dinheiro e anotações que integram a investigação. O único foragido recapturado foi Valtinei dos Santos Lima, conhecido como Dinei, encontrado em setembro de 2025. Dois outros fugitivos foram mortos: Anailton Souza Santos, o Nino, em janeiro de 2025, e Rubens Lourenço dos Santos, o Binho Zoião, em outubro de 2025.

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Envolvimento com facção criminosa

Segundo o coronel Luís Alberto Paraíso, comandante da Polícia Regional, a fuga foi possível devido a ações simultâneas: detentos perfuraram o teto de uma cela enquanto um grupo armado invadia o presídio, atirando em agentes. O objetivo era libertar Edinaldo Pereira Souza, o "Dada", chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), e outros 15 detentos, todos membros da mesma organização ligada a uma facção do Rio de Janeiro.

As investigações revelaram que Joneuma Silva Neres, que esteve à frente do presídio por nove meses, teria uma ligação com a organização criminosa e um possível romance com Dada. Ela foi acusada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de autorizar regalias para os presos, como entrada irregular de itens e acesso facilitado de visitas, incluindo a esposa de Dada sem inspeção.

Denúncias e processo

O MP-BA ofereceu denúncia em março deste ano contra Joneuma, Wellington Oliveira Santos (ex-coordenador de segurança), Dada e os outros fugitivos. Depoimentos indicam que antes da fuga, os detentos foram colocados na mesma cela e tiveram acesso a uma furadeira para abrir um buraco no teto. Agentes penais notaram o barulho, mas a diretora só agiu dois dias depois, ordenando a retirada da ferramenta, que foi mantida em sua sala e depois levada para sua casa.

Joneuma foi presa em janeiro deste ano, grávida, e deu à luz um bebê prematuro, que permanece com ela na cela do Conjunto Penal de Itabuna. A defesa alegou gravidez para pedir sua soltura, que foi concedida pelo TJ-BA.

Contexto adicional

Em maio de 2025, um motorista do presídio foi baleado em um atentado que teria como alvo o diretor Jorge Magno Alves, exonerado em agosto de 2025. O caso destaca a influência do crime organizado na administração penitenciária e as falhas de segurança que permitiram a fuga em larga escala.

As investigações continuam, com a polícia em busca dos 13 foragidos restantes e aprofundando as conexões entre a ex-diretora e a facção criminosa, incluindo alegações de corrupção e envolvimento em atividades ilícitas dentro do sistema prisional.

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