Ex-desembargador condenado por estuprar neta se entrega à polícia no Amazonas
Rafael de Araújo Romano, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), de 80 anos, entregou-se voluntariamente à Polícia Civil do Amazonas nesta sexta-feira, 20 de março de 2026. A ação ocorreu após sua condenação definitiva por estuprar a própria neta, com os abusos iniciados quando a vítima tinha apenas sete anos de idade.
Condenação e prisão após recursos
Na quarta-feira, 18 de março, a Justiça determinou a prisão do ex-magistrado, que é avô paterno da vítima, hoje com 22 anos. Romano foi condenado em 2020 a 47 anos de prisão, em regime fechado, pelo crime de estupro de vulnerável. Desde então, ele moveu uma série de recursos e respondeu em liberdade até o processo transitar em julgado, sem possibilidade de novos apelos.
Denúncia e revelação dos abusos
O Ministério Público do Amazonas denunciou Romano em 2018, após acusações da mãe da criança, a advogada Luciana Pires. Ela relatou que a filha contou sobre os abusos durante uma visita a uma amiga no hospital. Os crimes ocorreram regularmente dos sete aos quatorze anos da vítima.
Luciana Pires publicou um vídeo nas redes sociais chamando o então sogro de "monstro horroroso". "Não tem coisa pior que um pedófilo abusando da sua filha, um pedófilo que é avô dela, que vivia na minha casa, eu cozinhava pra ele", declarou a mãe, emocionada.
Trajetória profissional e ironia do caso
Rafael de Araújo Romano foi eleito desembargador da Justiça do Amazonas em 2008, aposentando-se em 2015 aos setenta anos. Ex-titular da Vara da Infância e Juventude de Manaus, ele presidiu a Corte e julgou casos de pedofilia de grande repercussão. Em 2014, foi relator do julgamento de uma ampla rede de exploração sexual infantil em Manaus, envolvendo mais de vinte acusados, incluindo políticos e empresários.
A ironia de sua trajetória profissional, dedicada à proteção de menores, contrasta brutalmente com os crimes cometidos contra a própria neta. O caso expõe graves falhas no sistema e levanta questões sobre a impunidade temporária de figuras públicas.
Agora, com a prisão efetivada, Romano começará a cumprir a pena de 47 anos, encerrando um capítulo sombrio que durou quase uma década desde a primeira denúncia. A sociedade amazonense acompanha com indignação o desfecho de um caso que mancha a imagem da Justiça local.



