Homem com esquizofrenia paranoide preso após ataque fatal a moradores de rua em Campo Grande
Celso Vinícios Braz, de 36 anos, conhecido como "Neguinho", foi preso neste domingo (12) em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, após cometer um homicídio e ferir gravemente outras três pessoas em situação de rua. Os ataques violentos ocorreram na madrugada na região do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecido como Centro POP, localizado na rua Joel Dibo.
Detalhes do ataque e vítimas
Segundo informações da polícia, Celso utilizou uma pedra para agredir as vítimas. O homem que morreu, com aproximadamente 30 anos, sofreu ferimentos graves na cabeça, no tórax e nas mãos, e não portava documentos de identificação no momento do crime. Além dele, outras três pessoas foram atacadas: um homem de 61 anos, outro de 37 e um terceiro de 30 anos. Uma das vítimas foi encaminhada em estado grave para a Santa Casa de Campo Grande, onde recebe atendimento médico especializado.
Durante a abordagem policial, Celso foi localizado pouco tempo após os ataques e confessou os crimes. Ele alegou ter agido sob ordens de um indivíduo que chamou de "doutorzão", embora as investigações ainda estejam em andamento para apurar essa afirmação.
Histórico criminal e diagnóstico psiquiátrico
Celso Vinícios Braz já responde por outro homicídio, registrado em 19 de julho de 2025, quando esfaqueou Josias Francisco da Silva, também morador de rua, a poucos metros do local dos recentes ataques. Na ocasião, a vítima recebeu 16 golpes de faca após tentar fugir e cair. Celso foi preso dias depois desse crime.
Em fevereiro deste ano, o caso foi analisado pela 1ª Vara do Tribunal do Júri. Com base em laudo médico que diagnosticou Celso com esquizofrenia paranoide, o juiz Carlos Alberto Garcete considerou-o inimputável, ou seja, sem condições de responder criminalmente naquele momento. A decisão judicial determinou sua internação por tempo indeterminado, com prazo mínimo de um ano, no Hospital Nosso Lar.
Fuga e falhas no sistema
No entanto, Celso fugiu do hospital no dia 29 de março, levando a Guarda Municipal a registrar um boletim de ocorrência. O hospital comunicou a fuga à Justiça, informando suspeitas de que ele estivesse no Centro POP. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul confirmou sua localização no dia 1º de abril e, no dia 7, pediu providências urgentes, considerando que ele representava risco social devido ao diagnóstico psiquiátrico.
Antes que uma nova internação pudesse ser realizada, Celso voltou a atacar na madrugada de domingo (12), resultando na morte de uma pessoa e ferimentos em outras três. Atualmente, ele segue preso e deve passar por audiência de custódia, onde serão definidas as próximas medidas legais.
Implicações e contexto social
Este caso levanta questões importantes sobre a saúde mental, a segurança pública e a eficácia do sistema judiciário no tratamento de indivíduos com transtornos psiquiátricos que cometem crimes. A repetição de ataques violentos por parte de Celso, mesmo após diagnóstico e determinação de internação, evidencia falhas na supervisão e na aplicação das medidas de segurança.
A situação também destaca a vulnerabilidade da população em situação de rua, que frequentemente se torna alvo de violência. As autoridades locais estão reforçando a vigilância na região do Centro POP e revisando protocolos para evitar incidentes semelhantes no futuro.



