Empresário é assassinado após reunião de negócios em Cravinhos, SP; corpo permanece desaparecido
O caso do empresário Nelson Carreira Filho, desaparecido desde maio de 2025 após uma reunião de negócios em Cravinhos, no interior de São Paulo, continua a angustiar sua família. Seu irmão, Márcio Carreira, expressou publicamente a dor de não saber se Nelson está vivo ou morto, uma vez que o corpo nunca foi localizado, impedindo até mesmo um velório ou cremação.
Sócio é apontado como principal autor e está foragido
O sócio de Nelson, o empresário Marlon Couto Paula Júnior, é apontado como o principal autor do crime, tendo inclusive confessado em uma carta. Ele está foragido há quase um ano. Marlon responde por homicídio qualificado por motivo torpe, emboscada, recurso que impossibilitou a defesa da vítima, ocultação de cadáver, fraude processual e falsidade ideológica.
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo deve decidir nesta semana se Marlon e outros seis acusados de envolvimento no desaparecimento vão a júri popular. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público em fevereiro deste ano.
Família acredita em "queima de arquivo" ligada a drogas
Márcio Carreira afirmou à EPTV, afiliada da TV Globo, que acredita que o irmão foi vítima de uma "queima de arquivo". Segundo ele, Marlon estava envolvido na fabricação de drogas, popularmente conhecidas como rebite e bala, e temia que Nelson o entregasse à polícia ou desmanchasse a sociedade.
"Isso não foi briga, isso não foi desentendimento. Isso foi queima de arquivo", declarou Márcio, destacando o caráter premeditado do crime.
Detalhes macabros do crime planejado
As investigações indicam que o crime foi motivado por desavenças comerciais e meticulosamente planejado. Nelson, de 43 anos e residente em São Paulo, foi atraído para uma emboscada. Após ser morto a tiros, seu corpo foi enrolado em lonas e jogado em um rio, segundo as autoridades. Vestígios de sangue foram encontrados no local da reunião com auxílio de luminol.
Entre os outros denunciados estão:
- Tadeu Almeida Silva, gerente da empresa de Marlon, que se entregou à polícia e confessou ter ajudado a ocultar o corpo e a levar o carro da vítima para São Paulo.
- Marcela Almeida, mulher de Marlon, que foi presa, mas posteriormente liberada pela Justiça.
- Felippe Miranda, apontado como cúmplice no descarte do corpo no rio, preso e depois liberado.
- Os pais de Marlon, Marlon Couto Paula e Lilian Patrícia Paula, e seu irmão, Murilo Couto.
Embora nem todos tenham acusação direta pelo homicídio, a legislação prevê que o Tribunal do Júri pode julgar crimes conexos.
Angústia familiar e busca por justiça
A família de Nelson vive um limbo doloroso. "Foi uma humilhação para nós, porque nem velar o corpo dele não podemos velar. Cadê o corpo para velar? Cadê? Ele não deu nem isso para nós", desabafou Márcio Carreira, ecoando a frustração com a falta de respostas e a crueldade do crime.
Marlon, dono de farmácias de manipulação na região de Ribeirão Preto, mantinha negócios com Nelson, encontrando-se com ele pelo menos uma vez por semana em Cravinhos. O delegado Heitor Moreira destacou que Tadeu Almeida agendou uma dedetização no dia do crime, dispensando todos os funcionários, o que reforça a tese de planejamento prévio.
O caso segue sob investigação, com a esperança da família de que o júri popular seja convocado e a justiça seja finalmente feita, trazendo algum alívio para essa tragédia que já dura quase um ano.



