Dono do Banco Master é transferido para instalações da Polícia Federal em Brasília
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi transferido nesta quinta-feira (19 de março) do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A movimentação ocorre em meio às negociações avançadas para a formalização de um acordo de delação premiada, que pode revelar novos detalhes sobre as irregularidades envolvendo a instituição financeira.
Decisão judicial autoriza transferência do empresário
A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como relator dos inquéritos que investigam as supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master. Em nota oficial, a Polícia Federal confirmou o cumprimento da decisão judicial, referente ao processo identificado como PET 15.711.
A corporação policial informou textualmente: "Em cumprimento à decisão judicial proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, no âmbito da PET 15.711, realizou, nesta quinta-feira (19/3), a transferência do custodiado Daniel Bueno Vorcaro do Sistema Penitenciário Federal para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal".
Trajetória recente de prisões e defesa jurídica
Daniel Vorcaro teve sua primeira prisão em 17 de novembro do ano passado, quando foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, durante tentativa de embarque para o exterior. A Polícia Federal suspeitava que ele planejava fugir do país, enquanto o empresário sustentava que viajaria para encontrar potenciais investidores interessados na aquisição do Banco Master.
Após ser liberado dez dias depois, Vorcaro foi preso novamente em 4 de março deste ano, no contexto da operação policial batizada de Compliance Zero. A mesma investigação também atingiu servidores do Banco Central, ampliando o escopo das apurações.
Na semana passada, o empresário anunciou uma significativa mudança em sua estratégia de defesa, substabelecendo procuração para o renomado advogado José Luis Oliveira Lima, popularmente conhecido como Juca. O profissional possui vasta experiência em conduzir delações premiadas complexas, tendo atuado em casos de grande repercussão nacional.
Experiência do novo advogado em casos de alto perfil
O advogado Juca já coordenou acordos delicados, como a delação do ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, durante a Operação Lava Jato. Sua atuação também inclui a defesa do ex-ministro José Dirceu no período do escândalo do mensalão, em 2012, e a representação do general Braga Netto, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, no processo sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Rumores sobre o conteúdo da possível delação
Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, publicadas no jornal Folha de S.Paulo, Daniel Vorcaro não pretende envolver ministros do Supremo Tribunal Federal em um eventual acordo relacionado ao Banco Master. Fontes próximas ao empresário indicam que ele só mencionaria nomes de autoridades do alto escalão do Judiciário se isso se tornasse absolutamente inevitável para a concretização do acordo de colaboração.
Impactos financeiros do caso Banco Master
O Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, já provocou perdas financeiras superiores a R$ 50 bilhões para diversas entidades. Entre os prejudicados estão o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e vários fundos de pensão, que tiveram prejuízos significativos com o colapso da instituição financeira.
O caso continua sob intenso monitoramento das autoridades, com expectativa de que as negociações para a delação premiada avancem rapidamente nas instalações da Polícia Federal em Brasília, onde Vorcaro agora se encontra custodiado.



