Polícia investiga desvio de R$ 10 milhões em medicamentos de hospitais públicos no Acre
Desvio de R$ 10 milhões em remédios de hospitais no Acre

Esquema milionário de desvio de medicamentos públicos é investigado no Acre

A Polícia Civil do Acre segue aprofundando as investigações sobre um suposto esquema de desvio de medicamentos e insumos hospitalares de unidades públicas de saúde do estado, com prejuízos estimados em cerca de R$ 10 milhões. As apurações, que já completam mais de três meses, indicam que remédios para tratamento de câncer e hemodiálise, além de gazes, luvas e outros materiais essenciais, teriam sido retirados ilegalmente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Pronto-Socorro e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Rio Branco desde o ano de 2023.

Idoso preso e suspeitas de envolvimento de servidores

O caso ganhou destaque após a prisão de um idoso que mantinha uma farmácia clandestina em sua residência. Embora ele tenha sido solto no dia seguinte à prisão durante audiência de custódia, atualmente responde ao processo usando tornozeleira eletrônica enquanto aguarda o andamento das investigações. O delegado responsável pelo inquérito, Igor Brito, revelou que muitas pessoas já foram ouvidas e interrogadas, incluindo suspeitos de receptação, mas nenhuma nova prisão foi realizada até o momento.

"Identificamos outras pessoas, mas essas situações ocorrem em segredo de justiça para não atrapalhar o trabalho já feito", destacou o delegado, acrescentando que novas oitivas com os envolvidos ainda devem ser realizadas. A polícia trabalha com a hipótese de que servidores públicos possam estar envolvidos no esquema, o que amplia a complexidade das investigações.

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Depósito clandestino descoberto e medicamentos apreendidos

Em uma ação realizada no dia 14 de janeiro, a Polícia Civil descobriu um depósito clandestino na Rua Eduardo Asmar, região da Gameleira, Segundo Distrito de Rio Branco, utilizado para armazenar os materiais possivelmente desviados. O local estava fechado e vazio quando as equipes policiais chegaram, mas continha medicamentos e insumos hospitalares armazenados de forma precária em caixas de papelão e sacos de lixo.

O cenário era de completo descaso: várias caixas estavam violadas, embalagens de insumos abertas e materiais espalhados pelo estabelecimento. Um caminhão foi necessário para transportar todo o material apreendido até um depósito da Polícia Civil, onde foi realizada a contabilização dos itens.

Além do depósito, os policiais também cumpriram mandados judiciais em uma clínica da Baixada da Sobral, que pertence ao empresário e ex-deputado estadual Raimundo Correia da Costa, conhecido como Raimundinho da Saúde.

Impactos no atendimento público e devolução de medicamentos

O secretário estadual de Saúde, Pedro Pascoal, afirmou durante entrevista coletiva que os desvios tiveram impactos diretos no atendimento à população. "O Estado se planejava para fazer aquela aquisição, aquela quantidade específica de medicamento e nunca era suficiente para as patologias, doenças, diagnósticos e, enfim, no consumo dos nossos pacientes, das nossas unidades de saúde", explicou o secretário, destacando que essa inconsistência no abastecimento foi o ponto de partida para a investigação.

Atualmente, parte dos medicamentos desviados que foram apreendidos permanece sob custódia da Polícia Civil, enquanto outra parte está armazenada em um cofre na Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre). O delegado Igor Brito já solicitou a restituição dos medicamentos para que possam ser devolvidos ao estado e utilizados no atendimento público.

"Era tanta coisa que a gente quase ficou sem espaço", revelou o delegado sobre a quantidade de material apreendido, evidenciando a magnitude do esquema que vem sendo desmantelado pelas autoridades policiais acreanas.

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