Dentista é denunciado por estupro de vulnerável no Paraná após múltiplas vítimas serem identificadas
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou denúncia formal contra o dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior pelo crime de estupro de vulnerável. O caso, que tramita sob sigilo judicial, teve origem em eventos ocorridos em outubro de 2009, quando a vítima principal tinha apenas dez anos de idade.
Investigação revela padrão de abusos
A investigação conduzida pela Polícia Civil concluiu que o profissional abusou sexualmente de ao menos dez crianças e adolescentes, aproveitando-se da relação familiar e de autoridade sobre as vítimas. No entanto, devido a questões de prescrição penal, a denúncia do Ministério Público pôde considerar apenas os crimes cometidos contra uma das vítimas.
Conforme detalhado pelo MP, os abusos ocorreram em uma chácara localizada em Teixeira Soares, nos Campos Gerais do Paraná. Em uma das ocasiões, a vítima acordou durante a noite com o autor tocando suas partes íntimas. Outros episódios aconteceram durante momentos de lazer, como quando assistiam filmes ou estavam na piscina da residência.
Prescrição impede ação penal em casos antigos
A promotora de Justiça Raisa Cruz Braga explicou que muitos dos crimes relatados não puderam ser incluídos na denúncia por terem ocorrido há mais de 21 anos. "Em razão da legislação vigente à época, das regras de prescrição do direito penal, parte dessas condutas já não pode mais ser objeto de ação penal", esclareceu a representante do Ministério Público.
Braga destacou ainda que, desde 2012, uma mudança na legislação estabeleceu que a contagem para prescrição de crimes sexuais contra crianças e adolescentes passa a ser calculada a partir do momento em que as vítimas completam 18 anos. No entanto, essa alteração não se aplica retroativamente aos crimes cometidos antes da vigência da nova lei.
Outras vítimas se manifestam após prisão
Após a prisão preventiva do dentista no início de março, outras mulheres da mesma família ou do círculo familiar relataram situações semelhantes vividas durante sua infância e adolescência. Segundo a promotora, esses depoimentos apontam para um possível padrão de comportamento que se repetia no ambiente familiar.
"Importante esclarecer que isso não significa que os relatos não sejam verossímeis, mas apenas que, juridicamente, o Estado não pode exercer a persecução penal em alguns desses casos", detalhou Braga, enfatizando que o silêncio das vítimas por muitos anos é uma realidade comum nesse tipo de crime.
Histórico criminal do dentista
Luis Alberto Pohlmann Júnior, de 46 anos, já possui outros processos criminais em andamento:
- É réu em ação por abuso sexual contra uma paciente anestesiada em seu consultório de Curitiba em 2022
- Já foi condenado por importunar sexualmente outra paciente em seu consultório
Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, uma das pacientes relatou que, durante procedimento de extração de siso, o dentista teria esfregado suas partes íntimas no braço dela e, posteriormente, acariciado seus seios sob pretexto de secá-la após jogar água em seu peito.
Ministério Público mantém canal aberto para novas denúncias
O MP-PR colocou-se à disposição para ouvir e acolher outras possíveis vítimas ou pessoas com informações sobre fatos semelhantes. "O relato de cada pessoa pode ser fundamental para a apuração da verdade e para a proteção de outras crianças e adolescentes", destacou a promotora Raisa Cruz Braga.
A defesa de Luis Alberto Pohlmann Júnior não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O caso continua sob investigação e tramitação judicial, com o dentista mantido em prisão preventiva desde sua captura em Teixeira Soares.



