Polícia Civil investiga demora no resgate de Thawanna após tiro de PM em SP
Demora no resgate de Thawanna é investigada pela Polícia Civil

Polícia Civil investiga demora no resgate de Thawanna após tiro de PM em SP

A Polícia Civil está apurando a demora no resgate de Thawanna da Silva Salmázio, baleada e morta pela policial militar Yasmin Cursino na Zona Leste de São Paulo. O policial militar que acionou o socorro cobrou insistentemente a chegada da ambulância enquanto a vítima ainda estava no chão, conforme registrado pela câmera corporal do agente.

Sequência de eventos revela atraso crítico

Na madrugada de sexta-feira (3), em Cidade Tiradentes, o soldado Weden Silva Soares presenciou o disparo feito pela colega Yasmin Cursino Ferreira. Imediatamente após o tiro, às 2h59, o policial questionou a colega e, em seguida, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).

"Copom, Rua Edimundo Audran, aciona o resgate", disse o soldado, reforçando o pedido pouco depois: "Copom, aciona o resgate, Edimundo Audran. Menina baleada".

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Apesar dos pedidos imediatos, o Copom acionou a central do Corpo de Bombeiros apenas às 3h04, cerca de cinco minutos após a solicitação inicial. Nesse intervalo, o policial voltou a insistir: "Reitero o resgate, Copom".

Cronologia do atendimento mostra falhas

A sequência oficial de registros revela uma série de atrasos:

  • Às 3h06, uma viatura de resgate foi inicialmente empenhada.
  • Seis minutos depois, às 3h12, essa ambulância foi substituída por outra.
  • A segunda ambulância saiu da base apenas às 3h17.
  • O resgate chegou ao local às 3h30, cerca de 30 minutos após o primeiro pedido de socorro.

Enquanto aguardava, o policial demonstrou preocupação com o estado da vítima, observando sinais de agravamento: "O resgate vai demorar? Já tá ficando branco o lábio dela, cadê o resgate?".

Consequências fatais da demora

Thawanna ainda estava no chão quando a equipe de resgate chegou. Ela foi colocada na ambulância às 3h37 e chegou ao hospital às 3h40, mas não resistiu aos ferimentos. O Instituto Médico Legal (IML) constatou que a causa da morte foi hemorragia interna aguda provocada pelo disparo.

Socorristas ouvidos pela reportagem afirmam que a demora no resgate contribuiu para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.

Bases próximas não foram acionadas a tempo

Investigadores apuraram que havia unidades do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local da ocorrência:

  1. A base mais próxima, na Avenida dos Metalúrgicos, em Cidade Tiradentes, está a cerca de 6 minutos de distância.
  2. A segunda mais próxima, na Rua Luís Mateus, em Guaianases, fica a aproximadamente 13 minutos.

O tempo de resposta de meia hora foi ao menos 10 minutos acima da meta de 20 minutos estabelecida pela própria corporação. Dados da Polícia Militar indicam que, em 2019, apenas 58% das ocorrências atendidas pelos Bombeiros ficaram dentro desse intervalo.

Investigações em andamento

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre a demora no atendimento e a dinâmica do resgate, mas não detalhou os pontos, afirmando apenas que o caso é investigado com prioridade.

"Todas as circunstâncias são investigadas com prioridade pelo DHPP e por meio de Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas", disse a pasta em nota.

Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais, e as imagens das câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos. O Corpo de Bombeiros também apura o tempo de resposta no socorro da vítima.

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