Mãe denuncia cuidadora por agressão a filho autista em escola estadual de Sorocaba
Uma mãe de Sorocaba, no interior de São Paulo, registrou um boletim de ocorrência contra uma cuidadora da Escola Estadual "Professor Jorge Madureira", localizada no Parque das Laranjeiras, na zona norte da cidade. A denúncia envolve agressões físicas e psicológicas contra seu filho de 11 anos, ocorridas no início de abril deste ano.
Criança com necessidades especiais sofre violência
De acordo com o relato da mãe, Denise Santos Rodrigues, seu filho é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (nível 2 de suporte), além de possuir deficiência intelectual e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O menino havia iniciado as aulas na instituição no dia 16 de março, mas já na segunda semana apresentava resistência em frequentar a escola.
"Ele iniciou a escola no dia 16 de março, assim que conseguiu a cuidadora e professora auxiliar, mas, na segunda semana, ele já apresentou comportamento de não querer ir", relatou Denise ao g1. "É o primeiro ano que ele estuda nessa escola".
Comportamento atípico e relatos de violência
A mãe começou a notar mudanças significativas no comportamento do filho, que frequentemente chegava chorando da escola. Em determinado dia, ao buscar a criança, a cuidadora a entregou visivelmente nervosa, mencionando que o menino havia tido uma crise.
Quando questionou o que havia acontecido, Denise recebeu respostas que considerou sem fundamento. Em casa, ao conversar com o filho, descobriu relatos perturbadores:
- A cuidadora apertou seu braço com força
- Gritou repetidamente com ele
- Impediu que se alimentasse adequadamente
- Brigava quando tentava usar o banheiro
"Percebi meu filho com comportamentos estranhos em casa, mais nervoso, e eu perguntei o que estava acontecendo", completou a mãe. "Ele veio falando que a cuidadora apertou o braço dele, gritou com ele, não deixava ele comer e brigava quando ia ao banheiro".
Investigação e medidas tomadas pela escola
Segundo informações do boletim de ocorrência, a coordenação e direção da escola teriam constatado os atos praticados pela cuidadora através de imagens de câmeras de segurança. Posteriormente, a funcionária foi transferida para outra unidade escolar.
A vice-diretora da instituição informou à mãe que, assim que a escola tomou conhecimento dos fatos, tomou as devidas providências administrativas. Em nota oficial, a Secretaria Estadual da Educação confirmou que a Unidade Regional de Ensino (URE) Sorocaba lamentou profundamente o ocorrido.
Posicionamento da Secretaria de Educação
A pasta estadual esclareceu que, imediatamente após ser informada sobre o caso, acionou a empresa responsável pela cuidadora para solicitar seu afastamento. A profissional já não atua mais na Escola Estadual "Professor Jorge Madureira".
Uma nova cuidadora já foi designada para acompanhar o estudante com necessidades especiais. Além disso, a URE organizou uma reunião com os pais do aluno na segunda-feira, 6 de maio, com o objetivo de esclarecer todos os fatos e oferecer acolhimento adequado à família.
O g1 tentou contato direto com a escola para obter um posicionamento mais detalhado sobre o caso, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Investigação policial em andamento
O caso foi registrado formalmente como maus-tratos e está sendo investigado pelo 8º Distrito Policial de Sorocaba. As autoridades policiais analisam as evidências e depoimentos para determinar a responsabilidade legal pelos atos denunciados.
Este incidente levanta questões importantes sobre a capacitação de profissionais que trabalham com crianças com necessidades especiais no sistema educacional público, além dos protocolos de proteção a estudantes vulneráveis.



