Atriz Cássia Kis é acusada de transfobia em banheiro feminino de shopping no Rio
Cássia Kis acusada de transfobia em banheiro feminino no Rio

Uma mulher trans identificada como Roberta Santana acusa a atriz Cássia Kis, de 68 anos, de ter tentado impedir que ela utilizasse o banheiro feminino do BarraShopping, localizado na zona sudoeste do Rio de Janeiro. A denúncia foi feita por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual Roberta, que afirma trabalhar no estabelecimento, relata ter sido vítima de transfobia.

O relato de Roberta Santana

Nas imagens, é possível ver a atriz lavando as mãos após a discussão. “Estou sofrendo transfobia aqui no shopping. Essa atriz está falando que eu não posso, mas eu tenho documento feminino”, afirma Roberta, que identifica nominalmente Cássia Kis. Na gravação, a atriz rebate dizendo: “Eu não uso banheiro dos homens”.

Segundo o relato divulgado pela própria Roberta, o episódio ocorreu na sexta-feira, 24 de janeiro. Ela conta que foi abordada enquanto aguardava na fila de um dos banheiros do shopping e ouviu comentários questionando sua presença no local feitos pela intérprete de Cidália na novela “Travessia” (2022), da Globo. A mulher afirma ter se sentido extremamente constrangida e que pretende buscar medidas legais contra a atriz.

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“Fui vítima de transfobia, a autora desse crime de ódio, a atriz Cássia Kis. Assim que eu entrei no banheiro, ela estava atrás de mim aguardando na fila e começou os ataques. Ouvi coisas absurdas, entrei em uma das cabines e, ao sair, ela continuava falando coisas horríveis e questionando minha presença no banheiro”, descreveu Roberta. “Ouvi ela dizer que o Brasil estava perdido porque tinha ‘homem’ no banheiro, que não tinha uma placa ali autorizando minha entrada, coisas absurdas e deploráveis. Nunca me senti tão constrangida em toda minha vida”, completou.

Antecedentes de polêmicas

Em 2022, Cássia Kis já havia gerado polêmica durante uma entrevista à jornalista Leda Nagle. Na ocasião, a atriz declarou que casais homoafetivos “não dão filho” e que certas atitudes visam “destruir a família” e “destruir a vida humana”. O grupo Arco-Íris, movimento nacional que representa a comunidade LGBTQIAP+, acionou a atriz na Justiça por declarações homofóbicas.

Em novembro de 2025, a Justiça do Rio de Janeiro arquivou, sem julgamento de mérito, uma das três ações de homofobia a que Cássia Kis respondia por causa da entrevista. No entanto, a atriz segue ré em ao menos outros dois processos. Em outubro de 2024, a Justiça Federal aceitou uma denúncia contra a ex-atriz da Globo por preconceito contra pessoas transexuais. O caso corre na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro e a ação civil pública ainda está em andamento, podendo resultar em multa de até R$ 1 milhão.

A queixa-crime foi movida pelo coletivo Antra (Articulação Nacional dos Transgêneros) e pelo ator José de Abreu. Além disso, o Grupo Arco-Íris também move outra ação contra Cássia na esfera cível, pedindo uma indenização coletiva de R$ 250 mil, que seriam destinados a programas de combate à LGBTfobia no meio cultural.

A reportagem tentou contato com a atriz por telefone, e-mail e mensagens, mas ela não se manifestou até o fechamento desta matéria.

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