Justiça condena 15 pessoas por assalto milionário a avião-pagador no RS
Condenação por assalto a avião-pagador no RS supera 520 anos

Justiça Federal condena 15 envolvidos em assalto histórico a avião-pagador no Rio Grande do Sul

A Justiça Federal emitiu sentença condenatória contra 15 pessoas pelo audacioso assalto ao avião-pagador ocorrido no Aeroporto de Caxias do Sul, na Serra gaúcha, em junho de 2024. A decisão, proferida pela 3ª Vara Federal de Passo Fundo nesta terça-feira (10), marca um capítulo crucial na investigação de um dos maiores roubos já registrados no estado do Rio Grande do Sul, com prejuízo superior a R$ 14 milhões.

Condenações robustas e conexões criminosas amplas

As condenações foram fundamentadas em extenso material reunido pela Polícia Federal durante as investigações, que incluiu laudos periciais detalhados sobre artefatos explosivos, veículos adulterados e armamentos de alto poder utilizados na ação. Exames genéticos realizados pelos peritos conseguiram associar alguns dos investigados deste caso a outros episódios criminosos de grande repercussão, como o ataque à base da empresa Prosegur no Paraguai, o roubo de ouro no Aeroporto de Guarulhos em São Paulo, e até mesmo episódios de domínio de cidade em Ourinhos (SP) e Criciúma (SC).

Os réus foram considerados culpados por uma série de crimes graves, incluindo:

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  • Latrocínio (roubo seguido de morte)
  • Explosão
  • Falsificação de símbolos e identidade
  • Adulteração de veículos
  • Usurpação de função pública
  • Posse de arma de uso restrito
  • Lavagem de dinheiro
  • Organização criminosa armada

Penas severas e operação complexa

As penas aplicadas individualmente e somadas ultrapassam a marca impressionante de 520 anos de reclusão, com algumas condenações específicas superando os 50 anos de prisão. A pena mais severa atingiu 64 anos, 8 meses e 1 dia de reclusão em regime fechado. A investigação revelou que mais de 20 outros investigados, relacionados a etapas subsequentes da operação, ainda aguardam julgamento.

O assalto foi executado por integrantes de duas organizações criminosas distintas, com nove pessoas participando diretamente da ação. Os criminosos utilizaram veículos disfarçados como viaturas policiais e vestiram uniformes semelhantes aos das forças de segurança, invadindo a área restrita do terminal aeroportuário. Eles renderam funcionários na guarita e abordaram a aeronave com tiros de fuzil, visando os valores transportados por uma aeronave vinda de Curitiba.

Detalhes operacionais e desdobramentos trágicos

De acordo com as investigações da Polícia Federal, haveria participação de um funcionário de uma empresa de transporte de valores, que teria repassado informações privilegiadas ao grupo criminoso. Na fuga, os assaltantes utilizaram uma van com placas clonadas, adaptada para parecer um transporte escolar, que resgatou os criminosos armados e com os malotes de dinheiro no distrito de Galópolis, em Caxias do Sul.

A operação criminosa envolveu ao todo 13 veículos, incluindo caminhonetes blindadas com logotipos falsos da Polícia Federal. A investigação também identificou cinco imóveis usados em diferentes fases do crime: três sítios localizados em Igrejinha, Riozinho e Alto Feliz, além de duas casas em Alvorada e Farroupilha.

O confronto durante o assalto resultou na morte trágica de um policial militar, identificado como Fabiano Oliveira, e também de um dos assaltantes. A quadrilha utilizou fardas e viaturas falsificadas da própria Polícia Federal, além de veículos com placas clonadas, demonstrando alto nível de planejamento e organização.

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