Homem condenado a 61 anos de prisão é procurado como foragido pela Justiça
Um homem foi condenado pelo Tribunal do Júri a uma pena de 61 anos de prisão por matar uma mulher e uma criança de três anos após atear fogo na residência delas em Laranjeiras do Sul, na região Central do Paraná. Fábio Ivoney Malek, de 42 anos, é considerado foragido pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR), que já iniciou diligências para localizá-lo.
Julgamento ocorreu dez anos após o crime brutal
O julgamento histórico ocorreu na última terça-feira, dia 3 de setembro, exatamente uma década após o crime hediondo. O caso remonta ao dia 15 de janeiro de 2016, quando Fábio foi até a casa onde estavam a vítima e seus quatro filhos, acompanhado de um amigo que, na época, tinha apenas 16 anos de idade.
Os dois indivíduos trancaram o imóvel e atearam fogo propositalmente. Três crianças conseguiram ser socorridas, mas a mãe, de 26 anos, e sua filha de três anos morreram carbonizadas dentro da própria residência no bairro Santo Antônio de Pádua.
Detalhes chocantes do crime e investigação
O inquérito da Polícia Civil foi concluído dois anos depois, em 2018, e apontou que Fábio acreditava que a vítima era responsável pelo fim do relacionamento dele com uma amiga dela. O promotor de justiça Igor Rabel Corso explicou que "inicialmente a polícia tinha algumas linhas investigativas, a própria hipótese de um homicídio, de um incêndio acidental".
"Posteriormente, chegaram informações no sentido de que o réu poderia ser o autor do crime. Foram ouvidas testemunhas no curso do inquérito policial, uma ex-companheira dele, que também foi vítima de tentativa de feminicídio por sua parte, e uma outra companheira dele também, confirmaram que em um momento ele confessou que teria praticado esse crime a elas", detalhou o promotor.
Processo judicial prolongado e fuga
Com a conclusão do inquérito, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) ofereceu denúncia contra o suspeito. Segundo a promotoria, o réu apresentou mais de um recurso ao longo do processo, e remarcações de audiências durante a pandemia de Covid-19 também contribuíram significativamente para a demora do julgamento.
Nesse período intermediário, Fábio cumpria pena por tentativa de feminicídio contra uma ex-companheira, primeiro em regime fechado e, depois, com progressão de regime, até ser finalmente chamado para o júri do crime de 2016.
O promotor Igor Rabel Corso afirmou que "ele foi devidamente intimado pra comparecimento ao julgamento, mas ele não compareceu, mas foi julgado, sim. A polícia já está em diligências para localizá-lo".
Sobreviventes e consequências do incêndio
No dia do crime, havia mais três crianças na residência além da menina que faleceu. Um menino de 9 anos acordou com parte da casa tomada por chamas e heroicamente conseguiu tirar as duas irmãs, de 5 e 7 anos, do local em chamas. Após esse ato de coragem, os vizinhos ligaram para o Corpo de Bombeiros.
De acordo com a corporação, o menino e a menina de 7 anos apenas inalaram fumaça, mas a irmã mais nova, de 5 anos, teve quase 30% do corpo queimado, sofrendo graves ferimentos. O pai das crianças estava trabalhando no momento do incêndio criminoso, escapando assim da tragédia.
Posição da defesa e situação atual
A defesa de Fábio Ivoney Malek informou que respeita a decisão dos jurados e que não irá recorrer da sentença de 61 anos de prisão. No entanto, o condenado permanece foragido, com a Polícia Civil em busca ativa para capturá-lo e fazê-lo cumprir a pena determinada pelo Tribunal do Júri.
O caso continua a mobilizar as autoridades de Laranjeiras do Sul e choca a comunidade local, que acompanha há uma década as consequências deste crime brutal que tirou a vida de uma mãe e sua filha pequena.



