Mulher é condenada por estelionato em Campo Grande após aplicar golpes inspirados em livro americano
Condenada por estelionato em MS usou livro americano para golpes

Mulher é condenada por estelionato em Campo Grande após aplicar golpes inspirados em livro americano

Uma mulher foi condenada por estelionato em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, após aplicar golpes durante quase três anos, causando prejuízos significativos às vítimas. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal da Capital, com o juiz Deyvis Ecco responsável pela sentença.

Inspiração em livro americano para fraudes elaboradas

Segundo a própria acusada, ela se inspirou em um livro americano para criar as histórias usadas nas fraudes. Durante a investigação, ela confessou à polícia que utilizou como referência o livro 'A Câmara de Gás' para estruturar as narrativas. A partir da leitura, passou a criar enredos cada vez mais elaborados, explorando temas como doença, morte, sofrimento e disputas familiares para despertar compaixão e urgência nas vítimas.

O juiz Deyvis Ecco destacou em sua sentença que a ré montou um esquema baseado em narrativas dramáticas para comover e convencer as vítimas a entregar dinheiro. As mentiras envolviam inventários inexistentes, doenças graves, mortes falsas e até crianças fictícias, com o objetivo de manipular emocionalmente os alvos.

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Detalhes cruéis dos golpes e métodos utilizados

Em um dos episódios considerados mais cruéis, a acusada simulou a morte de uma criança que nunca existiu para pedir dinheiro para um suposto funeral. Para tornar as histórias mais convincentes, ela chegou a se passar por uma criança em mensagens e cartas escritas à mão, alterando a forma de escrever para criar vínculo emocional com as vítimas.

A polícia também apreendeu um carimbo médico falsificado, usado para dar aparência de veracidade a pedidos de dinheiro para tratamentos de saúde urgentes. A acusada admitiu em depoimento que usava o chamado “conto da desgraça” como meio de vida, deixando claro que os golpes eram planejados e repetidos ao longo dos anos.

Prejuízos financeiros e análise judicial

O prejuízo foi alto para as vítimas. Uma delas entregou mais de R$ 412 mil à ré e, para arcar com empréstimos feitos em favor da acusada, precisou vender um imóvel. Ao analisar provas como confissão, laudos e documentos bancários, o juiz concluiu que o caso não se tratava de ajuda espontânea, mas de um esquema estruturado com base em manipulação emocional.

A mulher foi condenada a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 258 dias-multa. A Justiça também negou a substituição da pena por medidas alternativas, destacando a gravidade da conduta e o fato de ela ter explorado deliberadamente a solidariedade das vítimas.

Este caso serve como alerta sobre a sofisticação de golpes que exploram a empatia humana, com os criminosos utilizando técnicas psicológicas para enganar pessoas inocentes. As autoridades reforçam a importância de verificar informações antes de realizar transferências ou doações, especialmente em situações que envolvem apelos emocionais urgentes.

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