STF debate eleição direta versus indireta para governador do Rio de Janeiro
STF debate eleição direta ou indireta para governador do Rio

Supremo Tribunal Federal discute modelo eleitoral para governador do Rio

O Supremo Tribunal Federal (STF) está imerso em um julgamento crucial que definirá as regras da eleição para escolher o próximo governador do estado do Rio de Janeiro. O debate central gira em torno de uma questão fundamental: se a escolha deve ser realizada por meio de uma eleição indireta, conduzida pela Assembleia Legislativa, ou através de uma eleição direta, com participação do voto popular. O ministro Alexandre de Moraes emergiu como uma voz proeminente a favor do modelo direto, posição que já conta com o apoio de outros três ministros da Corte.

Panorama atual e prazos decisivos

Até o momento, o tribunal apresenta uma maioria favorável à eleição indireta. Contudo, os ministros têm até a próxima segunda-feira, dia 30, para consolidar seus votos no plenário virtual, onde a análise está em curso desde a noite de quarta-feira, 25. Nesse formato de eleição indireta, caberia aos 70 deputados estaduais eleger o governador que assumiria o comando do estado, permanecendo no cargo até a primeira semana de janeiro de 2027.

Origens do impasse e questionamentos legais

A controvérsia judicial teve início quando o PSD, partido do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, acionou o STF para questionar dois aspectos específicos da lei aprovada pela Assembleia Legislativa:

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  • O prazo necessário para que os candidatos deixem seus cargos públicos antes de concorrer;
  • Se a votação na eleição indireta deveria ser aberta ou mantida em sigilo.

O cenário político fluminense foi agravado pela renúncia seguida de cassação de Cláudio Castro, deixando o posto de vice-governador vago após a renúncia de Thiago Pampolha e a cassação do presidente da assembleia. Atualmente, o estado está sob governo interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto.

Decisões preliminares e divergências no plenário

O ministro Luiz Fux, designado relator do caso, estabeleceu em decisão liminar que a votação na eleição indireta deveria ser por voto secreto e que o prazo de desincompatibilização seria de 180 dias. Submetendo o tema ao plenário virtual, Fux viu seus colegas Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Dias Toffoli e Luiz Edson Fachin acompanharem sua posição sobre o voto secreto, mas divergirem quanto ao prazo, defendendo a retomada do período de 24 horas.

Defesa ferrenha da eleição direta

Foi então que o ministro Alexandre de Moraes introduziu uma nova e significativa divergência no julgamento, questionando não apenas as regras, mas a própria validade da eleição indireta. Em seu voto, Moraes argumentou que "a eleição indireta, tal como prevista, diminui a legitimidade democrática", ao submeter a escolha do chefe do Executivo a um corpo eleitoral reduzido. Ele alertou para os riscos em um contexto de crise institucional, com possível influência de grupos criminosos e vulnerabilidade política, o que aumentaria o perigo de captura do processo eleitoral.

Moraes defendeu que, diante dessas circunstâncias anômalas, a solução mais adequada seria a realização de eleições diretas suplementares, mantendo o presidente do TJ no cargo interinamente até lá. Seu posicionamento encontrou eco imediato no ministro Gilmar Mendes, que classificou a renúncia de Cláudio Castro às vésperas do julgamento do TSE como uma "manobra" para escapar da inelegibilidade, reforçando a necessidade do voto popular.

Ampliação do apoio e argumentos democráticos

Os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin também se alinharam à tese de Moraes. Dino ressaltou que a eleição indireta só se justifica quando não há alternativa viável para o voto popular, advertindo que esse modelo não pode se tornar regra, sob pena de esvaziar o princípio democrático. Zanin, por sua vez, afirmou que a renúncia do governador eleito funcionou como um mecanismo para burlar a Justiça Eleitoral, excluindo o eleitor e enfraquecendo a soberania popular.

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Estado atual da votação e movimentações recentes

O Supremo ainda não emitiu uma decisão final sobre o modelo eleitoral. Até esta fase, quatro ministros defendem a realização de eleição direta, enquanto seis votaram pela manutenção da eleição indireta, com a condição do voto secreto. O julgamento virtual permanece aberto até as 18h de segunda-feira, 30, período no qual os ministros ainda podem revisar suas posições.

Em uma movimentação recente, na sexta-feira, 27, o PSD ingressou com uma nova ação no STF, solicitando explicitamente que o novo governador seja escolhido através de uma eleição direta. O partido sustenta que Cláudio Castro realizou uma manobra para evitar a punição pela perda do mandato, fraudando assim o Código Eleitoral. O ex-governador optou por não se manifestar sobre as acusações.

Este impasse sobre quem assumirá o Poder Executivo do Rio de Janeiro não apenas reflete uma complexa disputa legal, mas também provoca uma profunda crise institucional, colocando em evidência os princípios democráticos e a soberania popular em um dos estados mais emblemáticos do país.