Comandante de elite da polícia é preso por usar viatura oficial para tráfico de drogas em MS
A Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) deflagrou nesta sexta-feira (17) a segunda fase da operação "Rota Blindada", que investiga um grupo criminoso suspeito de utilizar posições dentro das forças de segurança para proteger atividades ilegais, com destaque para o tráfico de drogas. A ação resultou no cumprimento de oito mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e também no estado do Paraná.
Primeira fase da operação revelou esquema de "frete seguro"
Na primeira fase da operação, realizada em fevereiro deste ano em Corumbá, o comandante do Grupo Tático de Escolta (GTE), Antonio Fernando Martins da Silva, foi preso sob a acusação de utilizar uma viatura oficial para transportar drogas pelo estado. Após a prisão, o policial penal foi imediatamente afastado do cargo.
Segundo as investigações da Denar, o esquema criminoso utilizava a função dos agentes e viaturas caracterizadas para realizar o transporte de entorpecentes, uma estratégia conhecida no meio ilegal como "frete seguro". Esta tática consistia em empregar veículos oficiais para reduzir significativamente o risco de fiscalização nas rodovias, conferindo uma aparência de legalidade às operações e evitando abordagens policiais.
Ligações com outras operações policiais
Entre os alvos da segunda fase da "Rota Blindada" está o policial militar Lucas Villegas, que já havia sido preso na última terça-feira (13) durante a operação "Lealdade Corrompida". Na ocasião, Villegas e o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos foram detidos sob suspeita de envolvimento no furto de uma grande quantidade de drogas em uma residência de Campo Grande.
A investigação aponta que o grupo se passava por agentes de segurança para cometer o crime, utilizando estrutura e aparência semelhantes às de operações policiais legítimas. O delegado André Mendonça, responsável pelas apurações, destacou que a ação foi planejada e executada de forma organizada, demonstrando um alto nível de coordenação entre os envolvidos.
Durante o cumprimento dos mandados nesta sexta-feira, outras duas pessoas foram presas temporariamente, enquanto um quinto investigado não foi localizado e é considerado foragido. Os demais envolvidos não são servidores públicos, conforme apurações realizadas.
Posicionamento das autoridades e instituições
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) emitiu uma nota informando que abriu procedimento administrativo para investigar o caso envolvendo seu servidor. A instituição afirmou categoricamente que não aceita desvios de conduta e ressaltou que possíveis irregularidades são de responsabilidade individual, não representando a corporação como um todo.
Por sua vez, a Polícia Militar confirmou que um de seus integrantes está entre os investigados na operação. A corporação declarou que acompanha de perto o caso, já instaurou procedimento interno e reforçou que não tolera condutas ilegais por parte de seus membros, mantendo um compromisso firme com a legalidade e a ética profissional.
Os policiais presos foram conduzidos à delegacia e optaram por permanecer em silêncio durante seus depoimentos. A Polícia Civil continua as investigações para identificar todos os envolvidos no esquema e compreender completamente como o grupo atuava dentro das estruturas de segurança pública, buscando desmantelar por completo esta rede criminosa.



