Câmeras de segurança registram furto de vírus em laboratório da Unicamp; pesquisadora responde em liberdade
Câmeras registram furto de vírus em laboratório da Unicamp

Câmeras de segurança capturam furto de vírus em laboratório da Unicamp

A retirada ilegal de vírus do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi registrada por câmeras de segurança, conforme apuração do g1. A ação ocorreu em um "período curto e de forma concentrada", de acordo com documento da Justiça Federal, levantando preocupações sobre riscos à saúde pública.

Pesquisadora presa e investigação em andamento

A pesquisadora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante e agora responde ao processo em liberdade, acusada de furto dos vírus, por colocar a saúde das pessoas em risco e pelo transporte não autorizado de material geneticamente modificado. O marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado pela Polícia Federal.

Segundo o termo da audiência de Soledad, ao qual o g1 teve acesso, o material biológico furtado foi encontrado em diferentes laboratórios do Instituto de Biologia e da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. As amostras foram armazenadas e descartadas fora dos locais originalmente autorizados, inclusive em lixeiras, após manipulação inadequada.

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Tipos de vírus envolvidos e destino das amostras

O g1 apurou que entre os vírus levados estavam H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, além de outros vírus humanos e suínos. Todas as amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém em sigilo a informação sobre os tipos virais específicos envolvidos no caso.

A Polícia Federal afirmou que Soledad optou por ficar em silêncio ao ser presa, um direito constitucional. A corporação nega que tenha havido contaminação externa, garantindo que todas as amostras foram recuperadas e os vírus permaneceram apenas dentro da universidade.

Cronologia detalhada do caso

13 de fevereiro: Uma pesquisadora da Unicamp percebeu que caixas com amostras de vírus sumiram do laboratório de virologia, uma área com nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto possível para estudos de agentes infecciosos no Brasil. O desaparecimento permitiu delimitar a janela de tempo do furto.

21 de março: Soledad foi aos laboratórios na tarde e noite de sábado, acompanhada de uma aluna que abriu as portas para ela, já que a pesquisadora não tinha acesso próprio.

23 de março: Pela manhã, Soledad foi vista novamente nos laboratórios. A Polícia Federal, com equipes técnicas, fez buscas e encontrou o material furtado em três locais:

  • Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): diversas caixas com amostras em um freezer lacrado.
  • Laboratório de Doenças Tropicais: tubetes manipulados no freezer de outra professora, com material descartado próximo.
  • Laboratório de Cultura de Células: frascos descartados em uma lixeira.

Enquanto isso, outra equipe da PF foi à casa de Soledad, onde um familiar informou que ela foi ao Centro Médico com o marido. A polícia encontrou o carro do casal e prendeu Soledad em flagrante.

24 de março: Após audiência de custódia, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória a Soledad, considerando seu emprego fixo, filhos pequenos e ausência de violência no crime. Ela deve comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal, pagar fiança de dois salários-mínimos, e está proibida de deixar Campinas por mais de cinco dias ou sair do país sem autorização, além de não poder acessar os laboratórios envolvidos.

Impactos e medidas de segurança

O caso levou à interdição de laboratórios na Unicamp e reforça a importância dos protocolos de biossegurança. A Sociedade Brasileira de Virologia acompanha a investigação, expressando confiança nos procedimentos científicos, enquanto autoridades continuam a apurar os motivos por trás do furto.

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