Chefe de esquema de fraudes bancárias se entrega à PF em Piracicaba após operação
Chefe de fraudes bancárias se entrega à PF em Piracicaba

Chefe de esquema milionário de fraudes bancárias se entrega à Polícia Federal em Piracicaba

O morador de Americana (SP) Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, apontado como o principal chefe de um sofisticado esquema de fraudes bancárias, se entregou voluntariamente à delegacia da Polícia Federal em Piracicaba nesta sexta-feira. Ele foi imediatamente encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade, onde aguardará os próximos passos do processo judicial.

Operação Fallax desmantela organização criminosa

A prisão de Thiago faz parte da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (25) com o objetivo de combater uma extensa rede de fraudes financeiras. Até o momento, a operação resultou na prisão de 18 indivíduos, enquanto outros três permanecem foragidos e são intensamente procurados pelas autoridades.

De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava através de um método elaborado que envolvia a criação de empresas de fachada, utilização de "laranjas" e a cooptação sistemática de funcionários de instituições financeiras. Pessoas eram recrutadas com pagamentos considerados ínfimos, variando entre R$ 150 e R$ 200, para emprestarem seus nomes ao esquema ilícito.

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Três foragidos têm papéis centrais no esquema

Entre os foragidos estão três figuras-chave identificadas pelas investigações:

  • Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior, de Osasco (SP), responsável por funções de intermediação financeira e operacional
  • Igor Gustavo Martins Avela, de São Paulo (SP), atuando como operador financeiro central do esquema
  • Carlos Ramiro Rodrigues, de Rio Claro (SP), encarregado de intermediar pagamentos aos "laranjas" e manter o silêncio de possíveis delatores

Segundo documentos judiciais aos quais a reportagem teve acesso, Igor teria gerenciado comissões ilícitas através de empresa própria e planejado estratégias para mascarar inadimplências. Já Carlos Ramiro teria atuado especificamente na contenção de crises e na manutenção do "silêncio" de pessoas envolvidas que ameaçavam denunciar a organização.

Esquema movimentou pelo menos R$ 47 milhões

As investigações da Polícia Federal revelaram que o grupo criminoso conseguiu abrir múltiplas contas bancárias e celebrar contratos de empréstimo milionários. Até o momento, foram identificadas movimentações financeiras que ultrapassam R$ 47 milhões, embora as estimativas apontem que os valores totais fraudados possam alcançar cifras superiores a R$ 500 milhões.

O esquema envolvia 172 empresas que obtiveram financiamentos em diversas instituições financeiras. Para dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos, a organização utilizava estruturas empresariais complexas e convertia os valores em bens de luxo e criptoativos.

Mandados judiciais e apreensões

A Justiça Federal expediu um total de 21 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão, com execução nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Durante as diligências, foram apreendidos:

  1. Computadores com dados sensíveis
  2. Documentos comprometedores
  3. Aparelhos celulares utilizados nas operações criminosas

Além disso, foram determinadas medidas cautelares incluindo o bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite dos R$ 47 milhões já identificados. A Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas vinculadas ao esquema.

Vida de luxo e articulação do chefe

Thiago Branco de Azevedo, conhecido como "Ralado" em seu círculo social, mantinha um estilo de vida opulento que chamava a atenção. Segundo o delegado da Polícia Federal em Piracicaba, Henrique Souza Guimarães, o suspeito costumava promover festas com a presença de cantores sertanejos de renome e ostentava carros de alto padrão em suas redes sociais.

"Era ele que fazia toda a orquestração do esquema", afirmou o delegado Guimarães. "Uma pessoa extremamente articulada que conseguia cooptar pessoas para o crime, fazendo contato com gerentes de instituições financeiras e com empresas legalizadas que atuam no mercado nacional."

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Além dos 21 indivíduos com mandados de prisão decretados, a operação identificou outros 12 suspeitos que foram alvos apenas de mandados de busca e apreensão. Entre eles está Rafael Ribeiro Leite Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, cuja defesa afirmou que prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso ao conteúdo completo da investigação.