Julgamento de maior chacina da história do DF começa nesta segunda-feira
O Tribunal do Júri de Planaltina inicia nesta segunda-feira (13) o julgamento dos cinco réus acusados pelo assassinato de dez pessoas de uma mesma família no Distrito Federal. Os crimes, praticados entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, constituem a maior chacina já registrada na capital federal e foram motivados pela disputa pela posse de uma valiosa chácara.
Disputa por terreno de 5,2 hectares avaliado em R$ 2 milhões
Segundo as investigações da Polícia Civil do DF, consolidadas no inquérito, o massacre teve como objetivo principal eliminar todos os herdeiros de uma chácara de 5,2 hectares na região do Paranoá, avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões. Os criminosos acreditavam que, sem herdeiros vivos, poderiam assumir a posse legal do terreno e posteriormente vendê-lo, lucrando com a transação imobiliária.
As vítimas incluíam três crianças e foram meticulosamente eliminadas para garantir que não restassem sucessores para a propriedade, que já era alvo de disputa judicial mesmo antes dos crimes ocorrerem. O Ministério Público detalha que os réus cometeram mais de cem crimes durante a execução do plano macabro.
Cinco réus enfrentam penas que podem superar três séculos de prisão
Os acusados que responderão ao julgamento são: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Conforme a denúncia da Promotoria de Justiça, as penas somadas podem variar entre impressionantes 211 e 385 anos de prisão, caso todos sejam condenados.
Os crimes listados na acusação abrangem uma ampla gama de violações, incluindo:
- Homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão
- Extorsão: quatro a 10 anos de prisão
- Roubo: quatro a 10 anos de prisão
- Sequestro: de dois a oito anos de prisão
- Constrangimento ilegal: de três meses a um ano
- Fraude processual: de três meses a dois anos
- Corrupção de menores: de um a quatro anos
- Ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos
Detalhes macabros do massacre familiar
A chacina começou a se desenhar quando a cabeleireira Elizamar Silva, de 39 anos, desapareceu com seus três filhos pequenos em 12 de janeiro de 2023. Ela teria saído de casa para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos. No dia seguinte, seu veículo foi encontrado com os quatro corpos carbonizados perto de Cristalina, no Entorno do DF.
Três dias depois, familiares reportaram o desaparecimento de mais três membros da família: o pai, a mãe e uma irmã de Thiago. O carro do sogro de Elizamar foi encontrado carbonizado com dois corpos, posteriormente identificados como Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior.
Além dessa família, também desapareceram Claudia Regina Marques de Oliveira e sua filha Ana Beatriz, ex-mulher e filha de Marcos Antônio respectivamente. O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado próximo a uma casa usada como cativeiro em Planaltina. Em 17 de janeiro, foram localizados os três últimos corpos: Thiago Belchior, Claudia Regina e Ana Beatriz.
Lista completa das dez vítimas da chacina
- Elizamar Silva, 39 anos, cabeleireira
- Thiago Gabriel Belchior, 30 anos, marido de Elizamar
- Rafael da Silva, 6 anos, filho do casal
- Rafaela da Silva, 6 anos, filha do casal
- Gabriel da Silva, 7 anos, filho do casal
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos, pai de Thiago
- Renata Juliene Belchior, 52 anos, mãe de Thiago
- Gabriela Belchior, 25 anos, irmã de Thiago
- Cláudia Regina Marques de Oliveira, 54 anos, ex-mulher de Marcos
- Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19 anos, filha de Cláudia e Marcos
O julgamento que se inicia representa um marco na justiça brasileira, não apenas pela brutalidade dos crimes, mas pela complexidade das motivações econômicas por trás do massacre familiar. A sociedade aguarda ansiosamente por um veredito que traga justiça para as dez vítimas e seus entes queridos.



