Chacina de 10 familiares no DF foi planejada para tomar posse de chácara, revela inquérito
Chacina no DF: plano para tomar chácara matou 10 da mesma família

Chacina de dez familiares no Distrito Federal foi motivada por disputa por chácara de R$ 2 milhões

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) concluiu que a chacina que vitimou dez pessoas de uma mesma família foi resultado de um plano minuciosamente estruturado, com divisão clara de tarefas entre os acusados e preparação prévia de um cativeiro. O julgamento dos cinco réus teve início nesta segunda-feira, 13 de maio, e está previsto para se estender até o próximo domingo, 19 de maio, com a oitiva de 23 testemunhas, incluindo policiais envolvidos nas investigações.

Objetivo: apropriação de propriedade valiosa

De acordo com a denúncia, os crimes começaram a ser arquitetados em outubro de 2022, com o objetivo central de tomar a posse de uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões, localizada na região do Paranoá. O plano consistia em vender os direitos do imóvel e repartir o valor entre os integrantes do grupo criminoso. Os acusados são Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva.

Cronologia detalhada de um crime cruel

A investigação, classificada como um "plano cruel e torpe", descreve uma sequência de ações coordenadas com violência extrema ao longo de semanas:

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  1. Outubro de 2022: Formação da associação criminosa entre Gideon, Horácio, Fabrício, Carlomam e um adolescente.
  2. 27 de dezembro de 2022: Invasão da chácara, rendição de Marcos Antônio Lopes de Oliveira, sua esposa Renata Juliene Belchior e a filha Gabriela Belchior. Roubo de cerca de R$ 49 mil. Marcos é morto e esquartejado no cativeiro em Planaltina.
  3. A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro. Fabrício assume a vigilância. Criminosos usam celulares das vítimas para se passar por elas e evitar suspeitas.
  4. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha Ana Beatriz são rendidas no Lago Norte, têm bens roubados e são levadas ao mesmo cativeiro.
  5. 12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar, é atraído à chácara Quilombo e sequestrado com ajuda de Carlos Henrique.
  6. 12 e 13 de janeiro: Elizamar Silva e seus três filhos pequenos – Rafael (6 anos), Rafaela (6 anos) e Gabriel (7 anos) – são convencidos a ir à chácara, rendidos e levados a Cristalina (GO), onde são estrangulados e têm o carro incendiado.
  7. 14 de janeiro: Renata e Gabriela, ainda em cativeiro, são levadas a Unaí (MG), estranguladas e queimadas dentro de um veículo.
  8. 15 de janeiro: Cláudia, Ana Beatriz e Thiago são assassinados a facadas em uma cisterna em Planaltina, com corpos cobertos por terra e cal.
  9. 16 de janeiro: Tentativa de destruir provas, com queima de objetos e alteração do cativeiro.

Vítimas e motivação final

A Polícia Civil afirmou em 2023 que as dez pessoas, incluindo três crianças, foram eliminadas para não deixar herdeiros para o terreno. Os criminosos acreditavam que, sem herdeiros, poderiam assumir a posse das terras e vendê-las. As vítimas são:

  • Elizamar Silva (39 anos), cabeleireira
  • Thiago Gabriel Belchior (30 anos), seu marido
  • Rafael da Silva (6 anos), filho do casal
  • Rafaela da Silva (6 anos), filha do casal
  • Gabriel da Silva (7 anos), filho do casal
  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira (54 anos), pai de Thiago
  • Renata Juliene Belchior (52 anos), mãe de Thiago
  • Gabriela Belchior (25 anos), irmã de Thiago
  • Cláudia Regina Marques de Oliveira (54 anos), ex-mulher de Marcos
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira (19 anos), filha de Cláudia e Marcos

Relembrando o caso

O caso ganhou notoriedade em janeiro de 2023, quando Elizamar Silva desapareceu com seus três filhos pequenos. Seu carro foi encontrado com quatro corpos carbonizados perto de Cristalina. Nas semanas seguintes, mais desaparecimentos e descobertas de corpos revelaram a extensão da tragédia familiar, culminando na descoberta dos corpos de Thiago, Cláudia e Ana Beatriz em 17 de janeiro.

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A denúncia do MPDFT inclui múltiplas acusações, como homicídios qualificados (pena de 12 a 30 anos de prisão), extorsão, roubo, sequestro, constrangimento ilegal, fraude processual, corrupção de menores e ocultação de cadáver. O julgamento em curso no Tribunal do Júri de Planaltina busca justiça para uma das chacinas mais brutais já registradas no Distrito Federal.