Caso Bernardo: 12 anos do crime que chocou o Brasil e situação atual dos condenados
Caso Bernardo: 12 anos do crime e situação dos condenados

Caso Bernardo: 12 anos de um crime que ainda ecoa na memória nacional

O assassinato do menino Bernardo Uglione Boldrini marca 12 anos neste mês, permanecendo como um dos episódios mais chocantes e emblemáticos da história recente do Brasil. Com apenas 11 anos, Bernardo desapareceu em abril de 2014, em Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul, e foi encontrado morto dez dias depois, em um caso que mobilizou a nação e deixou marcas profundas na sociedade.

Os condenados e suas penas

Em 2019, após um longo julgamento, quatro pessoas foram condenadas pelo Tribunal do Júri pela morte do menino: o pai, Leandro Boldrini; a madrasta, Graciele Ugulini; a amiga da madrasta, Edelvânia Wirganovicz; e o irmão dela, Evandro Wirganovicz. As acusações incluíam homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

  • Graciele Ugulini recebeu pena de 34 anos e sete meses de prisão.
  • Leandro Boldrini foi condenado a 33 anos e oito meses de prisão.
  • Edelvânia Wirganovicz foi condenada a 22 anos e 10 meses de prisão.
  • Evandro Wirganovicz foi sentenciado a nove anos e seis meses em regime semiaberto.

Em julho de 2025, a Justiça do Rio Grande do Sul aumentou as penas de Boldrini e Graciele, adicionando 13 anos e 15 dias por tortura e quatro anos, nove meses e 15 dias por abandono material.

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Onde estão os condenados hoje?

Leandro Boldrini cumpre pena em regime semiaberto com saída temporária deferida, mas sem trabalho externo autorizado. Em fevereiro de 2025, ele foi desligado do Hospital Universitário de Santa Maria após ter seu registro médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina, impedindo-o de exercer a profissão.

Graciele Ugulini trabalha na cozinha do Instituto Penal de Santo Ângelo, realizando atividades laborais internas conforme determinação do Tribunal de Justiça do RS.

Edelvânia Wirganovicz foi encontrada morta no Instituto Penal Feminino de Porto Alegre em abril de 2025, com suspeita de suicídio. Ela havia admitido o crime e indicado o local do enterro, e em fevereiro de 2025, o ministro do STF Cristiano Zanin determinou seu retorno ao regime semiaberto.

Evandro Wirganovicz já cumpriu sua pena, que foi extinta em janeiro de 2024, e atualmente está em liberdade.

Relembrando a cronologia do crime

O caso começou em 4 de abril de 2014, quando Bernardo desapareceu ao ir dormir na casa de um amigo. Seu corpo foi encontrado em 14 de abril em Frederico Westphalen, a 80 km de Três Passos. O atestado de óbito indicou morte violenta, com o corpo em estado avançado de putrefação.

Bernardo, órfão de mãe desde 2010, havia procurado o Judiciário no início de 2014 para relatar abandono familiar e pedir para morar com outra família, um detalhe que destacou a vulnerabilidade da vítima.

O velório e sepultamento ocorreram em 16 de abril, marcados por grande comoção pública, com o enterro no mesmo jazigo de sua mãe em Santa Maria.

Legado e medidas preventivas

O caso inspirou ações legislativas, como a aprovação recente na Assembleia Legislativa do RS do Projeto de Lei que cria a Patrulha Estadual de Prevenção à Violência Doméstica e Familiar contra Crianças e Adolescentes, apelidada de Patrulha Bernardo. Esta iniciativa visa fortalecer a prevenção e o enfrentamento da violência no ambiente familiar, refletindo o impacto duradouro do crime na consciência coletiva.

Doze anos depois, a memória de Bernardo Boldrini continua a servir como um alerta sobre a proteção infantil e a busca por justiça, com o caso permanecendo vivo no debate público e nas políticas de segurança.

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