Capitão da PM de São Paulo vira réu por estupro de vulnerável e violência doméstica
Capitão da PM vira réu por estupro de vulnerável e violência

Capitão da Polícia Militar é afastado após virar réu por crimes graves

Um capitão da Polícia Militar do estado de São Paulo foi afastado das funções operacionais após se tornar réu na Justiça por estupro de vulnerável contra sua enteada, que atualmente possui 15 anos de idade. A informação sobre o afastamento do oficial foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) na última quinta-feira (12), marcando um novo capítulo neste caso que envolve também acusações de violência doméstica contra a ex-esposa.

Processos na Justiça comum e militar

O oficial responde aos crimes em liberdade tanto na Justiça comum quanto na Justiça Militar, com a Corregedoria da Polícia Militar conduzindo investigações paralelas sobre os fatos denunciados. Em nota oficial, a SSP afirmou que "a PM reforça que não compactua com desvios de conduta e pune exemplarmente aqueles que infringem a lei e desrespeitam as normas e procedimentos da instituição".

Apesar da confirmação do afastamento das ruas, a secretaria não especificou em qual departamento da corporação o capitão está atualmente designado. Segundo informações de policiais ouvidos pela reportagem, ele estaria realizando trabalhos internos na PM enquanto aguarda o desfecho dos processos judiciais.

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Histórico de violência sexual e doméstica

Os crimes sexuais contra a enteada e as agressões à ex-mulher teriam ocorrido entre os anos de 2016 e 2021, período em que a mãe da adolescente estava casada com o policial militar. Segundo a acusação, os abusos contra a menor começaram quando ela tinha apenas seis anos de idade.

"Os abusos contra minha filha começaram quando ela tinha 6 anos. Ela contou que ele simulava treinos de jiu-jitsu e esfregava o órgão sexual na minha filha", relatou a mãe da adolescente, que também é ex-esposa do oficial.

Além do crime de estupro de vulnerável, o capitão é acusado em processo separado por violência doméstica contra sua ex-companheira, embora neste caso ainda não tenha se tornado réu. O nome do PM não foi divulgado para proteger a identidade da adolescente menor de idade.

Novos episódios de assédio e intimidação

Mesmo após a separação, as vítimas continuaram sofrendo assédio. Em 2025, quando já não moravam mais com o capitão, a estudante relatou ter recebido pelo celular fotos íntimas do ex-padrasto, que estaria se passando por outra pessoa para assediá-la.

A ex-mulher do oficial descreveu um padrão de violência constante durante o relacionamento: "Ele me dizia que me batia para me corrigir porque me amava. Ele me levava para a cozinha e todas as vezes que íamos conversar, ele deixava a arma em cima da mesa para me intimidar. Ele se esconde atrás da farda da PM".

Segundo seu relato, o policial se excitava ao vê-la chorando e a obrigava a manter relações sexuais após as agressões. "Quando éramos casados ele tentou me estrangular. Agora estou com medida protetiva", completou a vítima.

Investigações e medidas judiciais

Todas as denúncias foram encaminhadas à Polícia Civil e à Corregedoria da Polícia Militar, que abriram inquéritos para investigar as acusações contra o oficial. A Justiça concedeu medidas protetivas para a ex-mulher e sua filha, proibindo o capitão de se aproximar ou manter qualquer tipo de contato com elas.

De acordo com Thiago Lacerda, advogado que representa as vítimas, "o juiz acabou de receber a denúncia e o capitão está no prazo de 10 dias para apresentar a defesa prévia, resposta à acusação".

Posicionamento das autoridades

A Secretaria da Segurança Pública informou que os casos foram investigados pela 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e estão sendo acompanhados pela Corregedoria da PM "para adoção das medidas administrativas cabíveis".

"Os inquéritos policiais instaurados para apurar os crimes de estupro de vulnerável, bem como de violência doméstica e estupro, foram relatados em junho de 2025 e encaminhados para apreciação do Ministério Público e do Poder Judiciário", detalhou a pasta em nota.

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O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou que o oficial da PM se tornou réu por estupro em 2 de março deste ano, quando a denúncia do Ministério Público foi aceita. "Essa é a única informação disponível, pois o processo em questão tramita sob segredo de justiça", informou o TJ.

A equipe de reportagem não conseguiu localizar a defesa do capitão para comentar o caso, que continua em tramitação nas instâncias judiciais enquanto o policial permanece afastado de suas funções operacionais na corporação.