Cantor paraense Bruno Mafra cancela turnê após condenação por estupro das filhas
O cantor paraense Bruno Mafra, conhecido pelo projeto musical Bruno e Trio no cenário do tecnobrega, anunciou o cancelamento imediato de sua turnê Bruno e Trio 2.0. A decisão ocorre após o Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) manter por unanimidade sua condenação a 32 anos de prisão por estupro de vulnerável continuado contra as próprias filhas.
Detalhes da condenação e cancelamento da turnê
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a equipe do cantor informou que o cancelamento da turnê, que começaria neste sábado, 4 de abril de 2026, no arquipélago do Marajó, seguiu orientação jurídica. A turnê não tem previsão de retorno, marcando um ponto de inflexão na carreira do músico.
Os crimes sexuais ocorreram entre 2007 e 2011, quando as filhas de Bruno Mafra tinham apenas 5 e 9 anos de idade. O caso veio à tona em 2019, quando as jovens decidiram denunciar os abusos sofridos durante a infância. O processo tramitou sob sigilo de justiça até o julgamento em segunda instância no dia 26 de março de 2026.
Investigação e recursos da defesa
De acordo com as investigações, os abusos envolviam:
- Manipulação psicológica das vítimas
- Exibição de material pornográfico
- Atos libidinosos, incluindo sexo oral
Além das vítimas, a mãe, a avó materna e um tio das meninas foram ouvidos durante o processo. Um laudo sexológico confirmou a materialidade dos crimes, fortalecendo a acusação.
A defesa de Bruno Mafra, que alega inocência do cantor, pediu a absolvição por falta de provas, mas o recurso foi negado pelo tribunal. Os advogados afirmam que vão continuar recorrendo da decisão, alegando violações processuais.
Trajetória musical e impacto do caso
Bruno Nóbrega Mafra ganhou destaque no cenário musical paraense em 2007 com o sucesso 24 Horas, que o levou a programas de televisão e shows internacionais em países como Venezuela, Suriname e Guiana Francesa. O cantor se mudou para Portugal em 2017 e tem em seu repertório músicas como Pode Me Prender e Garimpo.
O caso tem repercutido amplamente nas redes sociais e no meio musical, levantando discussões sobre responsabilidade social de artistas e a importância do sistema judicial no combate a crimes sexuais contra vulneráveis.



