Corregedoria da Brigada Militar isenta policiais de crimes militares na morte de agricultor no Rio Grande do Sul
A Corregedoria-Geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito sobre a ação policial que resultou na morte do agricultor Marcos Nornberg, ocorrida em janeiro deste ano na zona rural de Pelotas, no Sul do estado. O Inquérito Policial Militar descartou a ocorrência de crimes militares por parte dos agentes envolvidos, mas identificou falhas graves no planejamento da operação, responsabilizando cinco militares na esfera disciplinar.
Falhas operacionais apontadas pela investigação interna
A investigação interna da BM afastou as suspeitas de tortura, omissão de socorro e fraude processual durante o confronto que levou à morte do produtor rural. No entanto, o relatório oficial apontou problemas significativos na execução da ação, incluindo precipitação da operação, omissão no comando de terreno e trabalho técnico deficiente por parte da equipe.
O documento concluiu ainda que existem indícios do cometimento de transgressão da disciplina militar, como "trabalhar mal por falta de atenção", "deixar de cumprir ordem regulamentar ou legal" e "trabalhar mal intencionalmente". Os nomes dos cinco militares responsabilizados não foram divulgados publicamente pela instituição.
Investigacões paralelas continuam em andamento
A apuração sobre as circunstâncias da morte de Marcos Nornberg e a suposta violação de domicílio segue em análise pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Segundo informações do Departamento de Homicídios do Interior, a expectativa é que a Polícia Civil conclua sua investigação criminal nos próximos dias, complementando o trabalho já realizado pela Corregedoria da Brigada Militar.
Registro em vídeo mostra violência da ação policial
Imagens de câmeras de monitoramento obtidas pela RBS TV registraram o momento exato da operação policial que resultou na morte do agricultor de 48 anos na madrugada do dia 15 de janeiro. O áudio captado pelo sistema de segurança permite ouvir ao menos 18 disparos de arma de fogo durante a ação, seguidos pela chegada de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência ao local.
O caso gerou comoção na comunidade local, onde Marcos Nornberg era conhecido como amigo, pai dedicado e trabalhador rural. A esposa do agricultor afirmou em depoimentos anteriores que os policiais militares teriam se confundido durante a operação, entrando na residência do casal sem a devida identificação ou justificativa legal.
O comandante-geral da Brigada Militar já havia admitido publicamente que ocorreu um "grande equívoco" na ação que terminou com a morte do agricultor, reconhecendo falhas no procedimento operacional padrão seguido pelos agentes. A viúva de Marcos Nornberg foi ouvida pela polícia como parte das investigações complementares que continuam em curso.



