Exclusivo: Investigação prende assassino foragido há mais de 30 anos no Paraguai
Assassino foragido há 30 anos preso no Paraguai em operação

Exclusivo: Investigação internacional prende assassino foragido há mais de três décadas

O brasileiro Marcos Campinha Panissa, procurado pela justiça há mais de 30 anos, foi finalmente preso no Paraguai após uma complexa operação de inteligência que rastreou seu paradeiro. O criminoso vivia sob a identidade falsa de José Carlos Vieira, utilizando documentos obtidos de forma irregular para manter uma vida discreta no país vizinho.

Crime brutal que comoveu Londrina em 1989

Panissa era procurado pelo assassinato de sua ex-mulher, Fernanda Estruzani, ocorrido em agosto de 1989 em Londrina, no interior do Paraná. Segundo as investigações, o crime foi cometido com extrema violência: a vítima foi atingida por 72 golpes de faca dentro de seu próprio apartamento.

"Odeio a mim mesma. Pensar que um dia amei ele como a um filho e receber essa traição que despedaçou o meu coração", declarou na época Dona Terezinha Estruzani, mãe de Fernanda, em depoimento que revela a dor da família.

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O caso foi classificado pela acusação como crime de motivo torpe, cometido de forma cruel e inesperada, gerando forte comoção na cidade paranaense.

Três décadas de fuga e vida paralela no Paraguai

Mesmo tendo sido condenado em julgamentos anteriores, Panissa respondeu em liberdade e desapareceu em 1995, pouco antes de um novo júri. Anos depois, a Justiça o julgou à revelia, procedimento permitido pela legislação para casos de homicídio, estabelecendo pena de 19 anos e seis meses de prisão.

Seu nome entrou para a difusão vermelha da Interpol, a lista dos criminosos mais perigosos do mundo, enquanto ele construía uma nova vida no Paraguai:

  • Entrou no país de forma irregular
  • Adotou identidade falsa completa
  • Conseguiu reunir bens e manter negócios
  • Formou nova família durante o período foragido
  • Viveu entre diferentes cidades paraguaias de forma discreta

Operação de captura e entrega às autoridades brasileiras

A prisão ocorreu em San Lorenzo, na região metropolitana de Assunção, capital do Paraguai, após trabalho de inteligência que identificou precisamente o paradeiro do condenado. Agentes paraguaios realizaram a abordagem e efetuaram a detenção sem resistência.

Após os procedimentos locais, Panissa foi entregue às autoridades brasileiras em operação de cooperação internacional, iniciando imediatamente o cumprimento da pena imposta pela Justiça do Paraná.

Caso emblemático e recursos da defesa

De acordo com o Ministério Público, os dias de prisão já começaram a ser contabilizados no tempo total da condenação. A defesa informou que pretende apresentar recursos para tentar rever a pena, com base em decisões anteriores do processo.

No entanto, representantes da acusação afirmam que o caso é emblemático. "Demonstra que o passar do tempo não fez com que crime caísse no esquecimento", afirma Susana de Lacerda, promotora de Justiça no Paraná.

A captura encerra uma busca de mais de três décadas e reforça a cooperação internacional no combate à impunidade, mostrando que mesmo criminosos que constroem vidas paralelas em outros países podem ser alcançados pela justiça.

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