Turista argentina do caso de racismo em Copacabana enfrenta nova acusação criminal em seu país
A advogada e influencer argentina Agostina Páez, de 29 anos, que responde por injúria racial após incidente em um bar de Copacabana, no Rio de Janeiro, agora enfrenta uma nova acusação em seu país de origem. Segundo revelações do jornal Clarín, Páez é acusada de roubar o carro do ex-namorado, Javier Zanoni, de 32 anos, configurando crimes de abuso de confiança e apropriação indébita.
Nova denúncia surge após retorno à Argentina
Páez retornou a Buenos Aires no dia 1° de abril, após pagar uma caução equivalente a 60 salários mínimos brasileiros, cerca de R$ 97 mil. Apesar de estar em território argentino, ela continuará respondendo pelo processo de racismo no Brasil, onde o crime é equiparado à injúria racial com pena de 2 a 5 anos de prisão.
Segundo a denúncia apresentada por Zanoni, ele havia emprestado um Citröen C4 Cactus à então namorada antes do término do relacionamento. Com o fim do namoro, o homem teria solicitado sucessivamente, por mensagens e ligações, a devolução do veículo, sem obter resposta da advogada.
Processo por apropriação indébita avança na Argentina
A advogada de Javier Zanoni, Elizabeth Maldonado, afirmou ao jornal argentino Nuevo Diario que enviou uma carta formal solicitando a devolução voluntária do carro, mas não houve resposta da ré. "Ele foi paciente devido à situação dela, mas já havia solicitado educadamente a devolução", declarou a profissional.
Amigos e familiares de Agostina Páez, no entanto, alegam que o processo é mentiroso e constitui uma suposta tentativa do ex-namorado de coagir a advogada a retomar o relacionamento. Fontes próximas ao caso indicam que Zanoni estaria arrependido e poderia retirar a queixa nos próximos dias.
Caso de racismo no Rio continua em andamento
O incidente que tornou Páez ré no Brasil ocorreu em 14 de janeiro, quando a turista se envolveu em uma discussão com funcionários de um bar em Copacabana. Segundo a denúncia, motivada por um suposto erro no pagamento da conta, a argentina teria chamado trabalhadores do estabelecimento de "negro" no sentido pejorativo e, ao deixar o local, proferido a palavra "mono" (macaco, em espanhol).
Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra o momento em que Páez aparece, já na rua, imitando sons e movimentos de um macaco, enquanto uma acompanhante tenta levá-la embora. As imagens foram gravadas por um funcionário do bar após a discussão inicial.
Medidas cautelares e andamento processual
O julgamento de Agostina Páez teve início no dia 24 de março, com defesa e Ministério Público do Rio de Janeiro concordando que, se condenada, ela cumprirá a pena na Argentina. A ré chegou a ser presa em 6 de fevereiro, mas liberada horas depois, sendo submetida posteriormente a medidas cautelares como retenção de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país.
No dia 31 de março, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou o retorno de Páez à Argentina mediante pagamento da caução. A influencer deverá manter endereço e contatos atualizados por meio de seu advogado para receber intimações judiciais, com o relator considerando que a ré é primária, tem profissão definida e colaborou no desenrolar do processo.
O caso continua mobilizando a atenção do público tanto no Brasil quanto na Argentina, com a ré tendo declarado anteriormente que se sente como "inimiga pública no Brasil" após o incidente em Copacabana.



