Amazonas registra alta solução de desaparecimentos, mas casos antigos ainda afligem famílias
Alta solução de desaparecimentos no AM, mas casos antigos persistem

Amazonas atinge alta taxa de solução em desaparecimentos, mas casos antigos permanecem sem respostas

O Brasil registrou um número alarmante de mais de 84 mil pessoas desaparecidas em 2025, o maior volume desde o início do levantamento em 2015. No estado do Amazonas, foram contabilizados 982 casos durante o mesmo período, com uma taxa de resolução considerada elevada, mas que ainda deixa milhares de famílias em angústia permanente.

Índice de solução e realidade familiar contrastante

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) revelou que aproximadamente 70% dos desaparecimentos envolvendo maiores de 18 anos registrados em 2025 foram solucionados. No entanto, os casos remanescentes, somados aos de anos anteriores, continuam sob investigação, mantendo viva a dor de parentes que aguardam notícias há anos.

Um exemplo emblemático é o de Lucas Souza da Silva, desaparecido desde 8 de agosto de 2019. Sua mãe, Laurenize Souza, compartilha a dura realidade enfrentada por milhares de brasileiros: "Eu falei pra quando ele terminar o serviço, ir para a irmã e ele disse que ia pra lá. A noite eu liguei pra ela e perguntei 'o Lucas está aí'? e ela falou que não. Foi quando a gente começou a procurar", relembra com emoção. Após quase sete anos sem qualquer informação, Laurenize mantém a esperança: "Pra mim ele vai chegar. Eu tenho aqui na minha mente como ele me chamava. Eu não sei, mas eu tenho muita esperança de que meu filho apareça".

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Perfis diferenciados e procedimentos investigativos

No Amazonas, os desaparecimentos são tratados de forma especializada conforme a faixa etária. Casos envolvendo menores de 17 anos são investigados pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). A delegada Mayara Magna explica que o perfil mais comum é de adolescentes que deixam o lar após conflitos familiares: "Geralmente o adolescente briga com a família, se revolta, há um conflito familiar naquele lar. Geralmente eles vão pra casa de amigos ou parentes e, depois que aquele conflito é resolvido, eles acabam retornando pra casa".

Já os casos de adultos são apurados pela Delegacia Especializada em Ordem Política e Social (Deops). A delegada Alynne Lima destaca que existem dois tipos principais de desaparecimento: voluntário e involuntário. "Nos casos dos desaparecidos voluntários, eles saíram de casa por diversos motivos e acabam retornando ou dando um sinal. Os involuntários são onde, às vezes, acontece a parte criminal mesmo, que são vítimas de latrocínio, de homicídio", esclarece. Ela acrescenta que a maior parte dos desaparecidos são homens entre 18 e 35 anos de idade.

Crime organizado e investigações persistentes

Em nível nacional, especialistas apontam uma conexão preocupante entre o aumento nos números de desaparecimentos e a atuação do crime organizado. José Cláudio, professor e pesquisador de sociologia, alerta: "Isso virou uma prática crescente no Brasil. Todos esses grupos armados começaram a fazer isso para despistar, para não ter problemas de investigação, para não ter identificação". Essa prática criminosa dificulta a localização de vítimas e o fechamento de casos.

As autoridades policiais reforçam que qualquer desaparecimento ou mudança repentina de rotina deve ser comunicado imediatamente, sem a necessidade de aguardar 24 horas. A delegada Alynne Lima detalha o processo investigativo: "A gente fica frequentemente investigando. A gente só encerra o caso quando o desaparecido é localizado. Dependendo da situação, a gente faz a requisição de coleta de DNA dos familiares para futuros confrontamentos, caso seja encontrada alguma ossada ou corpo".

Panorama atual e esperanças futuras

Embora o Amazonas apresente um índice de resolução considerado alto, especialmente para casos recentes, os desaparecimentos antigos continuam representando um desafio significativo. A delegada Mayara Magna ressalta: "Hoje, no estado do Amazonas, em 2024 e 2025, eu posso dizer que nós não temos nenhuma criança ou adolescente desaparecido que não foi encontrado. O que nós temos na Depca são casos mais antigos".

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Enquanto as investigações prosseguem, famílias como a de Laurenize Souza mantêm viva a chama da esperança, mesmo diante da incerteza e da saudade que cresce com o passar dos anos. A combinação entre esforços policiais, conscientização pública e apoio às famílias permanece crucial para enfrentar esse grave problema social que afeta todo o território nacional.