Estudantes da USP denunciam agressões por seguranças do vereador Lucas Pavanato
Agressões a estudantes da USP por seguranças de vereador

Confronto violento na USP envolve seguranças de vereador e estudantes

Um incidente grave marcou a manhã desta quarta-feira (4) na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na Zona Oeste da capital paulista. Estudantes denunciam ter sido agredidos fisicamente por seguranças privados que acompanhavam o vereador Lucas Pavanato (PL), resultando em feridos e registro de boletim de ocorrência.

Versões conflitantes sobre os acontecimentos

De acordo com relatos do Centro Acadêmico de Letras da USP, o vereador esteve no campus acompanhado por apoiadores e seguranças, montando uma tenda com placa em área de grande circulação de alunos, próxima ao prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Durante a ação, Pavanato teria insultado alunos e afirmado que estava "desafiando o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP", declarando que "nenhum estudante conseguiria debater com ele".

Em contrapartida, o vereador afirmou ao g1 que estava promovendo um debate sobre seus projetos, comparando a iniciativa a ações do ativista conservador Charlie Kirk em universidades norte-americanas. Pavanato negou que seus seguranças tenham agredido estudantes, alegando que todos teriam agido em legítima defesa, e afirmou que a vereadora Eduarda Campopiano (PL), que o acompanhava, teria levado um soco na boca de um estudante.

Relatos detalhados de violência

Conforme aumentava o número de estudantes no local, seguranças que acompanhavam o vereador avançaram para bloquear a passagem e, segundo os relatos dos alunos, iniciaram agressões físicas com empurrões e ataques a manifestantes. Durante a confusão, Pavanato teria sido retirado do local e colocado em um carro, enquanto os seguranças formavam um cordão de isolamento.

O aluno de letras Francisco Napolitano, diretor do DCE da USP e integrante do Coletivo Rebeldia, relatou ter sido empurrado diversas vezes e atingido por dois golpes na cabeça — um no olho e outro na boca — resultando em hematomas, corte e sangramento. Ele também afirmou ter sido afetado por spray de pimenta lançado por um dos seguranças ao tentar ajudar outros colegas.

Outros estudantes também ficaram feridos no incidente, incluindo um que foi atingido na perna do outro lado da rua, segundo testemunhas. Os alunos ainda afirmam que um dos seguranças envolvidos seria o mesmo que já havia sido detido anteriormente dentro da USP após sacar uma arma e ameaçar estudantes em episódio semelhante.

Respostas institucionais e registro policial

Após o confronto, parte dos estudantes seguiu o chefe da equipe de segurança até uma base da Polícia Militar, onde, segundo relatos, policiais afirmaram não tomar providências imediatas devido às versões diferentes sobre o ocorrido. Os alunos feridos registraram boletim de ocorrência denunciando as agressões cometidas pelos seguranças dentro do campus.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado como vias de fato no 93º Distrito Policial (Jaguaré), caracterizando o incidente como uma briga generalizada entre estudantes e um vereador, com agressões mútuas. Dois alunos ficaram feridos e passarão por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), sem que ninguém tenha sido detido.

Quatro estudantes compareceram ao distrito policial para registrar a ocorrência, enquanto o vereador e seus seguranças não foram ao local, conforme informações da polícia. O registro indica que Pavanato teria instalado uma tenda e caixas de som na Praça do Relógio quando teve início o tumulto envolvendo estudantes e a escolta.

Posicionamento da universidade

Em nota oficial, a USP afirmou que "repudia qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício desta liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana". A universidade destacou que considera a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias como princípios basilares da vida acadêmica, sendo a USP "por excelência, o espaço do debate plural, do questionamento crítico, da convivência entre diferentes perspectivas e visões de mundo".

A instituição também informou que teve conhecimento de que um aluno foi atendido no Hospital Universitário, mas já foi liberado. Testemunhas do incidente afirmam que a presença do grupo teve caráter de provocação política e que a violência partiu da equipe de segurança do vereador, enquanto Pavanato mantém sua versão de que a ação foi legítima e que premiaria sua equipe de segurança.