Advogado criminalista denuncia delegado após acusação de calcinha em sala de delegacia em São José do Rio Preto
Um advogado criminalista apresentou uma denúncia formal à Corregedoria da Polícia Civil contra um delegado após afirmar ter sido acusado injustamente de deixar uma calcinha dentro da sala do delegado, na delegacia de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. O incidente ocorreu na quinta-feira, dia 9, e gerou uma discussão acalorada, com o advogado relatando ter sido xingado de "vagabundo" e "imbecil" pelo delegado.
Detalhes do caso e acusações do delegado
O advogado Kauan Eduardo de Lima Cambauva explicou que estava na Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) acompanhando um cliente, alvo de um mandado de busca e apreensão, quando o delegado chegou batendo na porta e fez acusações sobre a calcinha. "De repente, o delegado chegou batendo a mão na porta, falando assim: 'Vocês são dois moleques vagabundos, seus imbecis'. Ele falou: 'Onde já se viu vocês entrarem na minha sala e jogarem uma calcinha lá dentro?'", relatou o advogado ao g1.
O advogado afirmou que, ao entrar na sala indicada pelo delegado, encontrou a peça íntima atrás da porta, mas negou veementemente qualquer envolvimento com o objeto. Na sequência, ele sugeriu que as imagens das câmeras de segurança da unidade policial fossem verificadas para esclarecer o ocorrido, mas o pedido foi negado, segundo sua versão.
Resposta da Secretaria de Segurança Pública e esclarecimento do caso
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou uma apuração preliminar sobre o caso e solicitou as imagens do sistema de monitoramento da delegacia para auxiliar no esclarecimento dos fatos. A instituição reiterou que não compactua com desvios de conduta e que, caso seja constatada alguma irregularidade, medidas cabíveis serão adotadas conforme a lei.
A situação começou a se normalizar quando a dona da calcinha chegou à delegacia, identificada como uma garota de programa que também era alvo de mandados na operação policial. A mulher afirmou que a peça tinha sido deixada dentro de um carro apreendido durante a ação. Além disso, um policial envolvido na operação confirmou que entrou na sala do delegado após recolher os objetos do veículo, levantando a hipótese de que a calcinha possa ter enroscado e sido deixada por engano.
Falta de retratação e protocolo na Corregedoria
Mesmo após o esclarecimento da origem da calcinha, o advogado afirma que o delegado não se retratou das acusações e ofensas proferidas durante o incidente. Diante da situação, o caso foi protocolado na Corregedoria da Polícia Civil para investigação mais aprofundada. "Eu só pedi respeito e que ele se retratasse. Em nenhum momento ele pediu desculpas. Um advogado criminalista já é mal visto muitas vezes. O mínimo que a gente exige é trabalhar com dignidade e respeito", finalizou o advogado, destacando a importância do respeito profissional no exercício das funções.
O episódio chama a atenção para questões de conduta e tratamento adequado dentro das instituições policiais, com a apuração em andamento podendo trazer mais detalhes sobre os desdobramentos deste caso incomum em São José do Rio Preto.



