Advogada é presa após postagem sobre arquivamento de BO em Goiás; OAB denuncia abuso
Advogada presa após postar sobre BO arquivado em Goiás

Uma advogada foi presa na quarta-feira (15) em Cocalzinho de Goiás após publicar uma reclamação nas redes sociais sobre o arquivamento de um boletim de ocorrência (BO) que ela havia registrado. Áricka Rosalia Alves Cunha foi autuada por desacato pelo delegado Christian Zilmon, que realizou a prisão, mas ela afirma que não difamou o policial em suas postagens.

Detalhes da prisão e soltura

A advogada foi liberada mediante o pagamento de uma fiança no valor de R$ 10 mil. Em entrevista à TV Anhanguera, Áricka explicou que apenas divulgou o despacho de arquivamento do BO, sem mencionar ou criticar o delegado. "O delegado se sentiu ofendido por esse post no Instagram, no qual eu demonstro que foi arquivado. Eu não mencionei ele, eu não falei mal da pessoa dele. Eu simplesmente divulguei o ocorrido", destacou.

Reação da OAB-GO e investigações

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) emitiu uma nota informando que, diante da gravidade dos fatos, formalizou representações por abuso de autoridade junto ao Ministério Público. Além disso, foram feitas comunicações à Corregedoria-Geral da Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública. A União Nacional das Advogadas Criminalistas e Acadêmicas de Direito (UNAA) também enviou um requerimento à Corregedoria da Polícia Civil para apuração do caso, nesta sexta-feira (17).

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A Polícia Civil informou ao g1 que o caso está sob análise da Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO, e todas as providências necessárias estão sendo tomadas para investigar o ocorrido.

Contexto do boletim de ocorrência

O incidente remonta a março, quando Áricka recolheu assinaturas de moradores para solicitar serviços de "tapa buraco" em Cocalzinho de Goiás. Após levar o pedido à prefeitura e publicar o feito nas redes sociais, ela recebeu um comentário ofensivo que a chamou de "loira idiota". Devido à ofensa, a advogada registrou um BO, mas em 26 de março, o delegado determinou o arquivamento provisório, alegando falta de efetivo policial na delegacia.

Insatisfeita, Áricka pediu o desarquivamento do caso e postou os despachos da polícia nas redes sociais. Essas publicações motivaram o delegado a ir ao seu escritório para prendê-la por desacato. Durante a condução, ele afirmou que a advogada desobedeceu a uma ordem e precisou ser algemada. "Depois ela, descontrolada, não queria obedecer à ordem. Também, desobediência. E aí teve que ser algemada", disse o delegado.

Relatos de constrangimento e dificuldades

Áricka relatou que o delegado a deixou esperando por cerca de seis horas enquanto ele jantava, junto com representantes da OAB. "Foi uma situação lamentável e esdrúxula", comentou. Ela também destacou que a soltura foi dificultada pela exigência de pagamento em espécie, obrigando seu esposo a buscar dinheiro com a população local, já que os estabelecimentos estavam fechados no horário.

A nota da OAB-GO enfatiza que a prisão, com uso de algemas e invasão do escritório, configura violação às prerrogativas profissionais da advogada. A entidade está adotando medidas para assegurar garantias legais, incluindo a busca pela nulidade dos atos praticados e a preservação do livre exercício da advocacia.

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