Médica formada pela USP é condenada por estelionato em lotérica de São Paulo
Alicia Dudy Muller Veiga, médica formada pela Universidade de São Paulo que responde pelo desvio de R$ 1 milhão da comissão de formatura da sua turma, foi condenada nesta semana pelo crime de estelionato contra uma lotérica na capital paulista. A pena arbitrada pela 32ª Vara Criminal de São Paulo foi de três anos de prisão, que será cumprida em regime semiaberto.
Golpe de quase R$ 200 mil aplicado em 2022
O crime de estelionato ocorreu em 2022, antes do suposto golpe que Alicia é acusada de ter dado contra seus colegas de sala da faculdade de medicina. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a médica primeiro fez amizade e ganhou a confiança dos funcionários da lotérica, localizada no bairro da Vila Mariana, entre o centro e a zona leste de São Paulo.
Em julho de 2022, ela apresentou vários comprovantes falsos pedindo que os funcionários fizessem apostas em seu nome. Alicia teria "comprovado" que pagou R$ 891.530 em apostas para a lotérica, mas na realidade havia enviado apenas R$ 891,50 ao estabelecimento.
Prejuízo de quase R$ 193 mil para a lotérica
O estabelecimento chegou a fazer R$ 193.800 em apostas para a médica, que na época ainda era estudante, até que a gerente percebeu que os comprovantes eram de agendamento de pagamento e não comprovações de transações efetivadas. Segundo as testemunhas, Alicia se negou a devolver as apostas já realizadas.
"A acusada obteve então uma vantagem ilícita de R$ 192.908,47, em prejuízo da vítima, consistente nos R$ 193.800 em apostas que efetuou, descontados os R$ 891,53 que por ela foram pagos naquela ocasião à empresa", diz trecho da denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Vagner dos Santos Queiroz.
Juíza conclui por dolo e intenção fraudulenta
Na sentença, a juíza Adriana Costa concluiu que "ficou evidenciado o dolo da ré em induzir a representante da vítima em erro, quer pela falta de pagamento, quer por ter se negado a devolver os jogos já feitos". Durante a fase de produção de provas, Alicia passou por uma perícia para analisar sua sanidade mental, alegando ter problemas com jogo.
No entanto, a avaliação dos médicos peritos constatou que ela possuía pleno entendimento do que fez na época dos fatos. A defesa alegou inocência durante todo o curso do processo, mas a condenação foi mantida.
Recurso pendente e outro processo em andamento
Alicia ainda pode recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Seu advogado, Sergio Giolo, afirmou que "a defesa irá recorrer da sentença, no prazo legal, utilizando os meios processuais cabíveis" e que "no momento, não é adequado comentar o mérito da acusação, especialmente porque há recursos pendentes".
Além deste caso, a médica responde em outro processo judicial por ter desviado R$ 1 milhão da formatura da sua turma de medicina da USP. Ela já colou grau e seu registro como médica no Conselho Regional de Medicina de São Paulo aparece como "ativo", apesar das acusações.
Em relação ao processo do desvio da comissão de formatura, Giolo esclareceu que "não houve ainda julgamento definitivo em segunda instância", mantendo-se o andamento processual em curso.



