Turquia prende mais de 160 após ataques a tiros consecutivos em escolas
As autoridades da Turquia efetuaram a prisão de mais de 160 indivíduos sob acusações que variam desde a disseminação de informações falsas até a publicação de mensagens de apoio a dois ataques consecutivos em escolas ocorridos no país nesta semana. O ministro da Justiça, Akin Gurlek, confirmou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, que 95 pessoas já se encontram sob custódia, enquanto outros 35 suspeitos permanecem sendo procurados pelas forças de segurança.
Investigações revelam planos de ataques em 54 escolas
Segundo informações detalhadas fornecidas pelo ministro Gurlek, os investigadores identificaram contas em redes sociais que sugeriam planos de ataques em até 54 escolas em todo o território turco. Dos usuários vinculados a essas postagens alarmantes, 67 foram detidos imediatamente. Além disso, como medida preventiva, o acesso a 1.104 contas nas plataformas digitais foi bloqueado pelas autoridades competentes.
Enquanto as operações policiais se intensificavam, mais de 3.500 professores tomaram as ruas em protesto contra o ministro da Educação, Yusuf Tekin, atendendo ao chamado de diversos sindicatos da categoria. Paralelamente, centenas de cidadãos se reuniram em uma mesquita para os funerais das vítimas dos trágicos eventos da semana, em um momento de luto coletivo que abalou a nação.
Detalhes dos ataques que chocaram o país
Na quarta-feira, um estudante de 14 anos do oitavo ano adentrou sua escola portando cinco armas e sete carregadores, abrindo fogo de forma indiscriminada e resultando na morte de nove pessoas e no ferimento de outras 13. Entre as vítimas fatais estão pelo menos três alunos e um professor, segundo relatos oficiais. O jovem atirador, em seguida, tirou a própria vida no local do crime.
"Um estudante chegou à escola com armas que acreditamos pertencerem ao pai, guardadas em sua mochila. Ele entrou em duas salas de aula e abriu fogo aleatoriamente, causando feridos e mortos", declarou o governador da província de Kahramanmaraş, Mukerrem Unluer, em coletiva de imprensa. Quatro dos feridos encontravam-se em estado grave e precisaram ser submetidos a procedimentos cirúrgicos de emergência.
A polícia turca revelou que a foto do perfil no WhatsApp do atirador fazia referência a Elliot Rodger, autor de um massacre na Califórnia, Estados Unidos, em 2014. Em um vídeo divulgado na época, Rodger justificou seu ataque como uma "punição" às mulheres que o teriam rejeitado, indicando uma possível influência ideológica no caso turco.
Segundo ataque ocorreu no dia anterior
No dia anterior aos eventos em Kahramanmaraş, um ex-aluno abriu fogo com uma espingarda em sua antiga escola no distrito de Siverek, província de Sanliurfa, ferindo 16 pessoas antes de se suicidar durante um confronto com a polícia. Dez estudantes estavam entre as vítimas deste primeiro ataque, que já havia colocado o país em alerta máximo.
Em discurso ao partido governista AKP no Parlamento, o presidente Recep Tayyip Erdogan prometeu que os responsáveis por qualquer negligência ou culpa "certamente serão responsabilizados" pelos ataques armados em escolas. A declaração presidencial veio em meio a crescentes críticas sobre a eficácia das medidas de segurança nas instituições de ensino.
Contexto de leis rigorosas sobre armas
Até esta semana, incidentes dessa natureza eram considerados raros na Turquia, um país que possui legislação rigorosa sobre armas de fogo. As leis turcas exigem:
- Licença obrigatória para posse
- Registro detalhado das armas
- Verificação de antecedentes criminais e psicológicos
- Penas severas para porte ilegal
A onda de violência repentina tem gerado intenso debate público sobre a segurança nas escolas e a eficácia das políticas de controle de armas, mesmo em um contexto legal aparentemente restritivo. As prisões em massa representam uma resposta imediata do governo turco diante de uma crise que expôs vulnerabilidades no sistema educacional e de segurança pública.



