Governo Trump propõe que Brasil receba estrangeiros presos nos EUA em prisões brasileiras
Trump propõe Brasil receber estrangeiros presos nos EUA em prisões locais

Proposta polêmica: Brasil seria destino de estrangeiros presos nos Estados Unidos

Em uma proposta que gerou controvérsia diplomática, o governo do presidente Donald Trump sugeriu que o Brasil recebesse, em suas próprias prisões, estrangeiros capturados em solo americano. A ideia, revelada em reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (13), segue o modelo já adotado com El Salvador e foi prontamente rejeitada pelas autoridades brasileiras.

Contexto das negociações bilaterais

A discussão surgiu no âmbito de uma cooperação mais ampla no combate ao crime organizado internacional. No dia 2 de dezembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou um diálogo telefônico com Trump, propondo uma parceria estratégica entre os dois países para enfrentar redes criminosas transnacionais, especialmente aquelas financiadas pelo narcotráfico.

Na mesma semana, o Brasil apresentou um plano preliminar que incluía:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Trabalho conjunto para coibir a lavagem de dinheiro
  • Bloqueio nos Estados Unidos de ativos ilícitos de criminosos brasileiros
  • Medidas para combater o tráfico internacional de armas que abastece facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC)

Contraproposta americana e rejeição brasileira

Após o início dos trabalhos conjuntos entre o Departamento de Estado americano e o Itamaraty, os Estados Unidos apresentaram uma contraproposta no início de janeiro de 2026. Além da sugestão de transferência de presos estrangeiros para prisões brasileiras, os americanos também solicitaram que o Brasil elaborasse um plano específico para:

  1. Acabar com a atuação do PCC em território brasileiro
  2. Eliminar a influência do Comando Vermelho
  3. Combater a presença do Hezbollah
  4. Enfrentar organizações criminosas chinesas atuantes no Brasil

O governo brasileiro, no entanto, rejeitou a proposta de receber presos estrangeiros, argumentando a necessidade de preservar a soberania nacional e a autonomia do sistema prisional do país.

Tensões sobre classificação de grupos criminosos

O tema ganhou ainda mais complexidade com a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Tal medida permitiria ao governo americano adotar ações unilaterais, incluindo o uso de força militar, contra essas facções – uma perspectiva que preocupa o Brasil.

Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutiram o assunto em um telefonema. O Itamaraty confirmou que as negociações continuam em andamento, mas se recusou a comentar propostas específicas em discussão.

Encontro presidencial adiado

O combate ao crime organizado e ao narcotráfico tornou-se um dos principais temas para o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, originalmente previsto para março. Contudo, devido ao conflito no Irã, a reunião deve ser remarcada para abril, dando mais tempo para as complexas negociações diplomáticas.

Enquanto isso, o governo brasileiro mantém sua posição de rejeição à proposta de receber presos estrangeiros, defendendo que qualquer cooperação deve respeitar a soberania nacional e os interesses do país no combate ao crime organizado internacional.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar