Polícia Federal retalia ação dos EUA com bloqueio de acesso a agente americano
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou nesta quarta-feira (22) a retirada das credenciais de um agente de imigração americano que atuava na coordenação do setor no Brasil. A decisão foi tomada como represália à atitude do governo de Donald Trump, que solicitou a remoção de um policial brasileiro do sistema de imigração dos Estados Unidos.
Bloqueio de dados e falta de comunicação oficial
Em entrevista à Globonews, Andrei Rodrigues esclareceu que o bloqueio ao sistema de dados da PF contra o servidor americano permanecerá até que os motivos da ação dos EUA sejam devidamente esclarecidos. "Esse policial norte-americano, que até então trabalhava dentro de uma unidade nossa da PF, deixa de ter acesso a algumas bases de dados que nós fornecemos para essas cooperações, assim como nosso servidor lá em Miami teve", afirmou o diretor-geral.
O funcionário brasileiro envolvido é o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atua em Miami e participou do caso que levou à prisão, na semana passada, do ex-delegado federal e ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE, a agência de imigração dos EUA. Andrei Rodrigues destacou que, até o momento, a PF não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o ocorrido com Marcelo Ivo, e ele mesmo determinou o retorno do delegado à sua unidade de origem.
"Ao chegar ao trabalho, o policial brasileiro teve a credencial de acesso ao sistema negado. Portanto, entendi que seria mais prudente mandar ele voltar ao Brasil", declarou o chefe da PF.
Críticas às alegações do governo Trump
Andrei Rodrigues considerou "risível" a alegação do governo Trump de que o funcionário brasileiro teria manipulado o sistema de imigração para "contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território" americano. "Não é possível imaginar que um policial está nos EUA para enganar as agências americanas e ludibriar um processo que a própria agência que ele está lotado produz", afirmou.
Após a prisão de Ramagem no dia 13, a PF havia afirmado que houve uma ação conjunta entre EUA e Brasil. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse na ocasião que a prisão pelo serviço de imigração foi motivada por uma suposta infração de trânsito leve.
Contexto da missão e substituição do delegado
Marcelo Ivo foi designado, em março de 2023, para exercer a função de oficial de ligação junto ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), em Miami. Esse tipo de missão para policiais federais brasileiros tem um período específico; no caso da função junto ao ICE, era de dois anos.
A permanência do delegado – que anteriormente foi superintendente da PF na Paraíba – foi prorrogada até agosto de 2026, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União. No entanto, em 17 de março deste ano, o delegado-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou a substituição de Marcelo por outra delegada, Tatiana Torres. A troca formal, portanto, ocorreu antes do episódio da prisão de Ramagem.
Antecedentes do caso de Alexandre Ramagem
O ex-deputado federal pelo PL-RJ, Alexandre Ramagem, foi condenado à prisão no ano passado na mesma ação que levou à cadeia o ex-presidente Bolsonaro. Ele recebeu pena de 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado no final do governo de Bolsonaro, além de perder o mandato parlamentar. Ramagem deixou o Brasil no ano passado e é alvo de um processo de extradição.



