Operação Malecón: Polícia Civil apreende R$ 12 mil e desarticula rede de tráfico de cubanos e estelionato com milhas
Operação Malecón apreende R$ 12 mil e prende suspeito de tráfico de cubanos

Operação Malecón: Polícia Civil apreende R$ 12 mil e desarticula rede criminosa em Roraima

A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira, 5 de setembro, a Operação Malecón, uma ação de combate a um grupo suspeito de envolvimento em tráfico de pessoas e estelionato por meio do uso fraudulento de milhas aéreas. Durante a operação, foram apreendidos R$ 12 mil em espécie, distribuídos em diversas moedas, e cumprido um mandado de prisão preventiva contra o principal investigado.

Investigações revelam esquema internacional

De acordo com o delegado titular da DRACO, Wesley Costa de Oliveira, as investigações tiveram início no final de janeiro, após relatos de vítimas, e avançaram rapidamente. “Representamos rapidamente pelas medidas cautelares e fomos prontamente atendidos pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, o que permitiu a deflagração da operação em curto prazo”, afirmou o delegado.

As apurações indicam que os imigrantes, principalmente cubanos, eram aliciados em Cuba e ingressavam no Brasil pela chamada Rota das Guianas, entrando por Lethem, na Guiana, com destino a Boa Vista, capital de Roraima. A partir dali, eram encaminhados para outros centros do país com auxílio de uma rede que fornecia hospedagem, transporte e logística.

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Estelionato dentro do tráfico de pessoas

O delegado ressaltou que parte dos imigrantes acabou sendo vítima de um golpe associado à própria estrutura criminosa. “Identificamos que alguns desses cubanos pagaram em dólar por passagens aéreas que foram emitidas com milhas furtadas de vítimas em outros estados. Quando tentaram embarcar, foram impedidos, configurando um crime de estelionato inserido dentro de um contexto maior de tráfico de pessoas”, explicou Wesley Costa de Oliveira.

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos bairros Buritis e Tancredo Neves, em Boa Vista. As diligências resultaram na prisão preventiva do venezuelano J.A.L.L., de 32 anos, apontado como responsável por coordenar a logística do esquema na capital.

Local de hospedagem irregular e apreensões

Conforme apurado, o suspeito gerenciava a permanência dos imigrantes em Boa Vista, oferecendo alojamento e transporte até o aeroporto. Em um dos imóveis alvos das buscas, localizado no bairro Buritis e pertencente a um policial militar, o investigado foi localizado e preso. A Polícia Civil investiga a eventual ligação do militar com os fatos apurados.

No curso das diligências, os policiais localizaram ainda um imóvel no bairro Tancredo Neves, utilizado como hospedagem irregular, sem alvará ou identificação formal, onde havia cerca de 30 camas destinadas a abrigar temporariamente os imigrantes até o embarque. “Essas pessoas chegavam por via terrestre até Lethem e eram encaminhadas para esse local, que funcionava como ponto de apoio logístico”, detalhou o delegado.

Bloqueio de contas e apreensão de valores

Ao longo das investigações, o delegado Wesley Costa de Oliveira representou judicialmente pelo bloqueio em contas bancárias vinculadas ao principal alvo. A medida foi autorizada pela Justiça, que determinou o bloqueio de até R$ 400 mil, com o objetivo de preservar valores possivelmente relacionados à atividade criminosa.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos aproximadamente R$ 12 mil em espécie, distribuídos em diferentes moedas, como cédulas em dólar americano, peso cubano, peso da Nicarágua e real. Segundo a polícia, isso evidencia a dimensão internacional das atividades investigadas.

Os policiais apreenderam também:

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  • Documentos diversos
  • Chips de telefones lacrados que seriam vendidos aos imigrantes
  • Telefones celulares
  • Dois veículos pertencentes ao policial militar, usados na logística para transporte dos imigrantes
  • Cadernos de anotações

Andamento das investigações e contexto regional

Após a prisão, o suspeito foi encaminhado à sede da DRACO, onde será interrogado, e, posteriormente, será apresentado em audiência de custódia. “É importante destacar que a investigação demonstra que Roraima está se consolidando como rota de fuga para os cubanos que fogem de Havana. Quanto à investigação, seguimos apurando a participação de outros envolvidos. Até o momento, há pessoas citadas no inquérito, mas apenas um suspeito foi formalmente identificado”, disse o delegado.

O aprofundamento das diligências deverá esclarecer o grau de envolvimento de outros possíveis integrantes da organização criminosa, inclusive do próprio policial militar, que será ouvido pela equipe da DRACO.

Significado do nome da operação

A operação foi batizada como Malecón em referência ao tradicional e extenso calçadão localizado em Havana, capital de Cuba. A denominação foi escolhida porque as vítimas do esquema investigado são, na totalidade, de nacionalidade cubana, simbolizando o ponto de origem de muitos dos imigrantes aliciados pela organização criminosa.

Estudos apontam que 41,7% das vítimas de tráfico humano em Roraima são mulheres, destacando a vulnerabilidade desse grupo dentro do contexto investigado pela Polícia Civil.