Nove forças policiais britânicas ampliam investigações sobre caso Epstein e Príncipe Andrew
O cerco em torno das revelações envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein ganhou dimensão nacional no Reino Unido, com pelo menos nove forças policiais confirmando que estão analisando informações e denúncias para decidir sobre a abertura de investigações formais. As apurações foram intensificadas após a divulgação dos chamados "Epstein files", documentos que detalham as atividades criminosas do empresário.
Movimentação policial ocorre em meio à prisão do príncipe e pressão política
A movimentação das forças de segurança britânicas coincide com a prisão do Príncipe Andrew, suspeito de má conduta em cargo público, e com o aumento da pressão política para que todos os envolvidos no escândalo prestem esclarecimentos. Embora cada força policial atue de forma independente, o volume de avaliações simultâneas evidencia a amplitude geográfica das suspeitas e a seriedade com que o caso está sendo tratado.
A Metropolitan Police, responsável por Londres, examina alegações graves de que agentes encarregados da proteção real teriam "feito vista grossa" durante visitas à ilha privada de Epstein. Além disso, a força analisa acusações de que o ex-ministro britânico Peter Mandelson teria compartilhado informações sensíveis com o financista.
Investigações específicas em diferentes regiões do país
A Surrey Police busca dados sobre uma alegação ocorrida em Virginia Water nos anos 1990, enquanto a Thames Valley Police avalia denúncias detalhadas de que Epstein teria enviado uma jovem ao Reino Unido para um encontro sexual com Andrew no Royal Lodge, em 2010. A mesma força examina possíveis compartilhamentos de informações confidenciais durante o período em que o príncipe atuou como enviado comercial do Reino Unido.
Em comunicado oficial, o assistente-chefe Oliver Wright afirmou que, após avaliação preliminar, foi aberta investigação por suspeita de má conduta em cargo público, ressaltando a necessidade de preservar a integridade do processo diante do "significativo interesse público" que o caso desperta.
Forças policiais investigam conexões logísticas com aeroportos britânicos
Outras forças policiais também revisam possíveis conexões logísticas com o Reino Unido:
- A Essex Police analisa informações segundo as quais Epstein teria traficado vítimas por meio do aeroporto de Stansted
- A Bedfordshire Police examina o uso do aeroporto de Luton para atividades criminosas
- A Police Scotland solicita informações sobre eventual utilização do aeroporto de Edimburgo
- A West Midlands Police avalia dados ligados ao aeroporto de Birmingham
A Wiltshire Police revisa seus registros históricos e presta apoio à polícia metropolitana, enquanto a Norfolk Constabulary informou que está analisando documentos relacionados ao caso, embora não tenha recebido acusações específicas até o momento.
Pressão política aumenta e caso ganha dimensão internacional
A ampliação das apurações coincide com a intensificação da pressão política sobre o governo britânico. Questionado sobre o caso, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que qualquer pessoa com informações relevantes deve prestar depoimento às autoridades competentes, em declaração que ocorre em meio a pedidos formais para que Andrew também colabore com investigações conduzidas nos Estados Unidos.
O caso marca uma nova fase no impacto internacional das revelações associadas a Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais. A decisão final sobre abertura de processos criminais dependerá da análise individual de cada força policial e, posteriormente, do crivo do Ministério Público britânico, que deverá avaliar as evidências coletadas em todas as investigações em andamento.



