Namorado é levado a julgamento na Áustria após morte trágica durante escalada em montanha
Um homem de 39 anos está sendo julgado na Áustria sob a acusação de homicídio culposo, após a morte de sua namorada durante uma escalada na montanha Grossglockner, a mais alta do país. A vítima, Kerstin Gurtner, de 33 anos, faleceu em janeiro de 2024, após ficar exposta a temperaturas extremas que chegavam a impressionantes -20°C.
Acusação detalha série de falhas e negligências graves
O réu, Thomas Plamberger, nega qualquer responsabilidade pelo ocorrido e afirmou em sua primeira audiência que a própria namorada teria solicitado que ele partisse. “Ela me disse para ir embora”, declarou ele perante o tribunal. No entanto, segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, o casal enfrentou condições climáticas extremamente adversas durante a tentativa de alcançar o cume da montanha, que possui 3.797 metros de altitude.
De acordo com os promotores, os dois alpinistas teriam se perdido pouco antes das 21 horas e não estavam devidamente equipados para enfrentar o frio intenso da região. A promotoria sustenta que Kerstin foi deixada a aproximadamente 50 metros do topo, em estado grave de hipotermia, enquanto Plamberger é acusado de ter cometido uma série de falhas críticas.
- Escolha inadequada de equipamentos de proteção e sobrevivência
- Demora significativa em acionar os serviços de resgate especializados
- Falta de utilização de cobertores térmicos que estavam disponíveis
Linha do tempo dos eventos revela atrasos preocupantes
A acusação afirma ainda que ele a deixou “exausta, hipotérmica e desorientada” nas condições gélidas da montanha. O primeiro contato com as autoridades de resgate ocorreu apenas às 1h35 da madrugada, cerca de quatro horas após o casal começar a enfrentar dificuldades significativas durante a escalada.
Segundo os autos do processo, por volta das 22h50, os dois chegaram a avistar um helicóptero de resgate nas proximidades, mas não teriam feito qualquer sinal de socorro para alertar a tripulação. Imagens de uma câmera de segurança instalada na trilha registraram Plamberger descendo a montanha sozinho por volta das 2h30, enquanto uma hora depois, ele voltou a ligar para as autoridades de emergência.
Mãe da vítima defende réu e critica cobertura midiática
Outras gravações obtidas durante a investigação mostram o acampamento improvisado onde o corpo de Kerstin foi posteriormente localizado pelas equipes de resgate. Durante o julgamento, o réu contou com o apoio inesperado da mãe da vítima, que criticou veementemente a forma como sua filha tem sido retratada publicamente.
“Fico profundamente irritada por Kerstin estar sendo retratada como uma pessoa ingênua que se deixou levar pela montanha. Considero completamente injusto o tratamento que ele está enfrentando. Há uma verdadeira caça às bruxas contra ele na mídia tradicional e nas redes sociais”, afirmou a mãe durante seu depoimento emocionado.
Pena pode chegar a três anos de prisão se houver condenação
Se for considerado culpado pela prática de homicídio culposo por negligência grave, Thomas Plamberger pode receber uma sentença de até três anos de prisão, conforme estabelece a legislação penal austríaca para casos similares. O processo judicial segue em andamento, com novas audiências previstas para as próximas semanas, onde ambas as partes apresentarão seus argumentos finais e provas complementares.
Este caso trágico tem gerado intenso debate público na Áustria sobre a responsabilidade individual durante atividades de alto risco em ambientes naturais extremos, levantando questões importantes sobre preparação adequada, protocolos de segurança e dever de assistência em situações de emergência nas montanhas.



