MPCE pede quebra de sigilos de psicóloga cearense desaparecida na Inglaterra há 10 dias
MPCE pede quebra de sigilos de brasileira desaparecida na Inglaterra

MPCE solicita acesso a dados sigilosos em caso de desaparecimento na Inglaterra

O Ministério Público do Ceará (MPCE) formalizou um pedido à Justiça cearense para a quebra dos sigilos bancário e telefônico da psicóloga Vitória Figueiredo Barreto, brasileira desaparecida há dez dias na cidade de Brightlingsea, na Inglaterra. A solicitação, ainda não analisada pelo Poder Judiciário, foi classificada como excepcional pelo órgão ministerial, justificada pela necessidade urgente de localizar a profissional.

Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira (13), o MPCE enfatizou que a medida será realizada sob segredo de justiça, com acesso restrito aos investigadores dedicados à busca por Vitória. "A providência é complementar às investigações policiais e consulares", afirmou a instituição, destacando o caráter extraordinário da ação em casos de desaparecimento.

Operadoras e bancos alertados para preservar registros

Conforme determinação do Ministério Público, as operadoras de telefonia e instituições financeiras foram notificadas para manter todos os registros relacionados à psicóloga sem qualquer alteração ou descarte. Essa precaução garante que as informações permaneçam íntegras e disponíveis para análise forense, potencialmente crucial para rastrear os últimos movimentos da desaparecida.

A manifestação da 16ª Promotoria de Justiça de Fortaleza foi encaminhada à 18ª Vara Cível da capital cearense, iniciando o trâmite legal que poderá autorizar o acesso aos dados sigilosos. A medida ocorre paralelamente às investigações conduzidas pela Polícia de Essex, no Reino Unido, que já acumulam evidências significativas sobre os eventos que precederam o desaparecimento.

Novas pistas revelam tentativa de fuga em embarcações

As investigações mais recentes da polícia britânica indicam que Vitória Barreto pode ter tentado realizar uma ligação direta no motor de um barco que desapareceu do porto de Brightlingsea. Sem conseguir acionar o propulsor, a embarcação ficou à deriva, sendo arrastada pela correnteza até encalhar em um banco de areia próximo à região de Bradwell.

Segundo relatos da professora Liliane Silva, amiga que hospedava a cearense na Inglaterra, as autoridades trabalham com a certeza de que a pessoa captada pelas câmeras de segurança era Vitória, mesmo sem identificação facial nítida. "Juntando as imagens e o tempo das gravações, eles trabalham, sim, com a certeza de que era a Vitória", afirmou Liliane em entrevista.

Sequência de eventos na madrugada do desaparecimento

As reconstituições policiais sugerem que, na madrugada do dia 4 de março, a psicóloga utilizou duas embarcações distintas. Após transpor quatro cercas em direção ao estaleiro local, ela embarcou em um pequeno barco a remo e navegou sozinha por aproximadamente 100 metros até um pontão onde outras embarcações estavam atracadas.

"Ela pegou um daqueles barquinhos e remou cerca de 100 metros até uma estação onde tinha um barco maior. E ela, então, entrou nesse barco maior", detalhou a professora Liliane. O segundo barco foi encontrado posteriormente com a parte do motor aberta e fios expostos, indicativos claros de uma tentativa de ligação direta para acionar o propulsor.

Esperanças renovadas com descobertas recentes

Um elemento que reacende as esperanças da família e amigos é a ausência do colete salva-vidas na segunda embarcação utilizada por Vitória. O barco foi localizado em uma região de águas rasas, onde a profundidade não ultrapassaria a altura dos joelhos, segundo especialistas consultados pela polícia.

"Claramente, com tudo isso que ela fez, ela mostrou pra gente que ela estava lutando pela vida dela e não faria nada contra ela própria", comentou Liliane Silva. A amiga destacou ainda que as buscas marítimas e aéreas com helicóptero não localizaram a psicóloga, mantendo viva a possibilidade de que ela tenha abandonado a embarcação em segurança.

Buscas ampliadas e mobilização da comunidade

As operações de busca foram significativamente expandidas desde quarta-feira (11), abrangendo o rio Blackwater, a península de Dengie, a costa do rio Crouch e a Ilha de Mersea. Na manhã de sexta-feira (13), os esforços concentraram-se especialmente na região de Bradwell, onde familiares percorreram a área tentando compreender possíveis rotas que Vitória possa ter seguido a pé.

Liliane Silva e os familiares da desaparecida fazem um apelo emocionado aos brasileiros residentes no Reino Unido: expor bandeiras brasileiras e distribuir cartazes com a imagem de Vitória. O objetivo é criar uma rede de apoio que possa acolher a psicóloga caso ela apareça solicitando ajuda.

Itens pessoais ainda não localizados

A bolsa de Vitória encontrada em Brightlingsea, próximo ao local onde ela embarcou na primeira embarcação, não continha itens essenciais como celular, passaporte, cartões de crédito ou computador. Investigadores não descartam a possibilidade de que todos esses objetos ainda estejam com a desaparecida, o que poderia fornecer pistas cruciais sobre seu paradeiro.

Os familiares receberam orientação expressa para não tentar acessar nenhuma das contas digitais de Vitória, incluindo redes sociais e aplicativos. A estratégia visa preservar a possibilidade de rastreamento caso ocorra uma nova tentativa de login, o que poderia indicar uma localização atualizada.

Monitoramento governamental e assistência consular

O governo britânico mantém vigilância ativa em hospitais, aeroportos, portos e fronteiras terrestres, confirmando que, até o momento, não há registros de que Vitória tenha deixado o Reino Unido. Paralelamente, o Itamaraty acompanha o caso através do Consulado-Geral do Brasil em Londres, prestando assistência consular à família e mantendo contato com as autoridades locais.

Em comunicado divulgado pela Polícia de Essex, a mãe de Vitória, Gleyz Barreto, expressou sua angústia e esperança: "Sabemos que Vitória provavelmente não está se sentindo bem, talvez esteja assustada. Para qualquer pessoa que a vir, por favor, faça com que ela se sinta acolhida, amada e ajude-a a se acalmar".

A psicóloga cearense, com currículo internacional expressivo, estava na Inglaterra desenvolvendo projetos de pesquisa na Universidade de Essex e explorando oportunidades acadêmicas, incluindo a possibilidade de iniciar um doutorado. Seu desaparecimento continua mobilizando autoridades brasileiras e britânicas numa corrida contra o tempo para localizá-la com segurança.