Irã executa atleta de wrestling após condenação em protestos anti-regime
Irã executa atleta de wrestling ligado a protestos

Execução de atleta iraniano gera indignação internacional

O governo do Irã executou por enforcamento, na quinta-feira 19 de março de 2026, três homens condenados pela morte de dois policiais durante os protestos anti-regime que tomaram o país em janeiro. Entre os executados estava Saleh Mohammadi, um premiado atleta de 19 anos da seleção nacional de wrestling, cujo caso tem sido alvo de duras críticas de organizações de direitos humanos em todo o mundo.

Condenação sob acusação de 'guerra contra Deus'

A agência de notícias Tasnim, ligada às forças de segurança iranianas, informou que os três homens – Saleh Mohammadi, Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi – foram julgados e executados na cidade de Qom. O veredito incluiu a condenação pelo crime de moharebeh, termo que significa "guerra contra Deus" e que é punível com a pena capital no sistema jurídico iraniano.

Autoridades do país afirmam que os três confessaram os crimes e que as execuções ocorreram após "procedimentos legais" adequados, com direito a advogados de defesa. No entanto, grupos de direitos humanos contestam veementemente essa versão dos fatos, alegando que as confissões foram obtidas sob coação.

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Denúncias de confissões forçadas e tortura

Segundo relatos de organizações internacionais, as autoridades iranianas extraem regularmente confissões forçadas de réus por meio de táticas de pressão que incluem confinamento solitário, ameaças contra familiares e tortura física. O Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã, organização sediada em Washington, revelou que Saleh Mohammadi foi preso em 15 de janeiro e condenado à morte no início de fevereiro.

Em informe publicado pela Anistia Internacional no mês passado, consta que o jovem atleta declarou ao tribunal da cidade de Qom que confessou o crime "sob tortura e outros maus-tratos". O Centro Abdorrahman Boroumand afirmou nas redes sociais que o enforcamento público "não promove a responsabilização nem a justiça", classificando-o como "uma punição cruel, desumana e degradante, concebida para instigar o terror".

Contexto de repressão violenta

Esta execução ocorre em um contexto de intensa repressão por parte do regime iraniano. A ONG Human Rights Watch afirmou recentemente que as autoridades lançaram um "tsunami" de prisões arbitrárias e submeteram detidos à tortura durante e após os protestos antigovernamentais em massa no início de 2026.

As estimativas sobre o número de vítimas durante os protestos são alarmantes:

  • Forças estatais teriam matado entre 4 mil e 30 mil pessoas
  • Mais de 200 crianças estariam entre as vítimas
  • O Irã executou mais de 2.000 pessoas apenas em 2025

Este último número representa o maior registro anual de execuções no país desde 1989, segundo dados do Centro Abdorrahman Boroumand. A execução de Saleh Mohammadi, um jovem atleta com reconhecimento nacional, simboliza o endurecimento das medidas punitivas contra qualquer forma de dissidência no Irã.

Repercussão internacional e críticas

A morte do atleta de wrestling tem gerado forte repercussão internacional, com organizações de direitos humanos condenando o que classificam como uso político da pena de morte para silenciar opositores. A acusação de "guerra contra Deus" tem sido frequentemente utilizada pelas autoridades iranianas contra dissidentes, permitindo a aplicação da pena capital em casos considerados políticos.

O caso de Saleh Mohammadi ilustra as tensões persistentes entre o regime iraniano e segmentos da população que contestam seu governo, especialmente jovens que buscam maior liberdade e direitos civis. A execução de uma figura pública como um atleta da seleção nacional envia uma mensagem clara sobre as consequências da oposição ao regime, ao mesmo tempo em que expõe as práticas questionáveis do sistema judiciário iraniano perante a comunidade internacional.

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