Influenciador brasileiro preso na Argentina pela Interpol recebe liberdade provisória
O empresário e influenciador digital Gabriel Spalone, réu na Justiça por furto qualificado e associação criminosa após o desvio ilegal de mais de R$ 146 milhões de um banco através do sistema PIX, teve sua liberdade provisória concedida pela Justiça nesta quinta-feira, dia 12. Spalone, que estava detido no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos desde sua extradição da Argentina em 21 de novembro do ano passado, agora enfrentará uma série de medidas cautelares rigorosas.
Detenção internacional e extradição
Gabriel Spalone foi inicialmente detido pelas autoridades argentinas em 27 de setembro em Buenos Aires, após uma busca coordenada pela Interpol. Considerado foragido da Justiça brasileira, ele era alvo da Operação Dubai, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo contra crimes virtuais. A operação investigava um esquema complexo envolvendo empresas criadas por Spalone que ofereciam serviços financeiros digitais não autorizados, incluindo transações de câmbio, criptomoedas e pagamentos via PIX indireto.
Segundo as investigações, essas empresas atuavam sem a devida autorização do Banco Central, utilizando intermediários para realizar transferências ilegais. Em um episódio marcante, em fevereiro de 2025, as empresas de Spalone executaram mais de 600 transferências ilegais em menos de cinco horas, totalizando os R$ 146 milhões desviados de dez contas de um único banco. Felizmente, a instituição financeira conseguiu identificar a fraude e recuperar aproximadamente R$ 100 milhões.
Medidas cautelares impostas pela Justiça
Na decisão da juíza Amanda Eiko Sato, foram estabelecidas diversas medidas cautelares para garantir o cumprimento da lei durante o processo. Entre as principais determinações estão:
- Comparecimento mensal obrigatório para informar e justificar suas atividades profissionais e pessoais.
- Obrigação de manter o endereço residencial sempre atualizado junto à Justiça.
- Proibição de ausentar-se da comarca de residência por mais de oito dias sem comunicação prévia ao juízo.
- Recolhimento domiciliar durante o período noturno e em todos os dias de folga.
- Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para monitoramento contínuo.
Além disso, a magistrada determinou a proibição de Spalone deixar o país, a retenção de seu passaporte – que deve ser entregue em até 24 horas após sua soltura – e o recolhimento de uma fiança no valor de R$ 50 mil. O valor da fiança foi fixado considerando a capacidade econômica declarada pelo acusado, que afirmou auferir entre R$ 35 mil e R$ 40 mil mensais com suas atividades empresariais.
Defesa comemora decisão e alega inocência
Em nota oficial, o advogado de Gabriel Spalone, Eduardo Maurício, comemorou a decisão judicial, afirmando que "foi feita Justiça". O defensor argumentou que seu cliente estava detido ilegalmente há dois meses, em uma situação de "evidente constrangimento ilegal". Segundo Maurício, a revogação da prisão preventiva representa o cumprimento estrito da lei, e ele acredita que a inocência de Spalone será comprovada, já que o influenciador "nunca praticou nenhum crime dos que lhe foram imputados de forma abusiva".
O advogado ainda informou que Gabriel Spalone deve ser liberado do Centro de Detenção Provisória de Guarulhos nesta sexta-feira, dia 13, dando início ao cumprimento das medidas cautelares estabelecidas. A expectativa da defesa é que o processo judicial avance para demonstrar a ausência de envolvimento do acusado nos crimes alegados.
Contexto do caso e operação policial
O caso ganhou notoriedade após a divulgação de imagens da prisão de Spalone no aeroporto de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, onde ele foi detido pelas autoridades argentinas. A Operação Dubai, que culminou em sua captura, focava em combater crimes virtuais envolvendo transações financeiras irregulares. As empresas vinculadas a Spalone operavam no chamado PIX indireto, uma prática considerada ilegal desde janeiro, quando o Banco Central endureceu as regras para fintechs e intermediários financeiros.
As investigações revelaram que o esquema utilizava empresas sem autorização para realizar transferências diretas, aproveitando-se de instituições bancárias regularizadas para intermediar as operações. A rápida ação do banco afetado permitiu a recuperação de parte significativa dos valores desviados, mas o caso ainda segue em tramitação na Justiça, com Spalone respondendo pelos crimes de furto qualificado e associação criminosa.



