ICE prendeu mais de 800 pessoas com dados da TSA de aeroportos nos EUA
Agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, efetuaram a prisão de mais de 800 indivíduos desde o início do mandato do presidente Donald Trump até fevereiro de 2026, utilizando informações fornecidas por autoridades federais em aeroportos, conforme dados internos do órgão divulgados pela agência de notícias Reuters nesta terça-feira, 7 de abril.
Compartilhamento de dados para fiscalização migratória
Segundo a Reuters, a Administração de Segurança de Transporte (TSA, na sigla em inglês) compartilhou com o ICE registros detalhados de mais de 31 mil viajantes, possibilitando uma fiscalização migratória mais ampla. Esses dados foram fundamentais para identificar quando pessoas estariam em deslocamento, facilitando as ações de apreensão.
O ICE e a TSA são ambas agências que integram o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês). Historicamente, essas entidades cooperam em questões de segurança nacional, mas, de acordo com os dados revelados, passaram a concentrar esforços em prisões migratórias de rotina no último ano, alinhando-se à política de deportações em massa do governo Trump.
Mudança no foco do programa Secure Flight
O programa que originou esses dados, conhecido como Secure Flight Program, foi criado em 2007 com o objetivo principal de identificar possíveis ameaças terroristas por meio da análise minuciosa de informações de passageiros. No entanto, sob a administração Trump, seu foco foi alterado para priorizar prisões relacionadas à imigração, reforçando as medidas de deportação.
O DHS não emitiu comentários específicos sobre o compartilhamento de dados entre TSA e ICE, mas afirmou que, durante o governo Trump, a TSA buscou "melhorar a resiliência, a segurança e a eficiência" do sistema de transporte, conforme relatado pela agência de notícias.
Presença do ICE em aeroportos e resultados limitados
No mês passado, agentes do ICE foram enviados para aeroportos em todo os Estados Unidos, em uma tentativa de reduzir filas longas durante uma greve de servidores da TSA, que estavam sem receber seus salários devido a uma paralisação parcial do governo americano. Contudo, essa medida não alcançou os resultados esperados, de acordo com dados divulgados pelo jornal The Washington Post.
Ao anunciar o envio do ICE para os aeroportos, o ex-presidente Donald Trump afirmou que os policiais realizariam "segurança como ninguém jamais viu antes". O republicano declarou que a ideia partiu dele próprio, contradizendo relatos que atribuíam a proposta a uma ouvinte de um programa de rádio conservador, sugerida dias antes.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reconheceu que os tempos de espera não diminuíram "tanto quanto gostaríamos". Ela não respondeu, entretanto, se o envio de agentes imigratórios afetou as operações de deportação em curso, deixando em aberto questões sobre a eficácia dessa estratégia.



