Furto de vírus H1N1 e H3N2 em laboratório da Unicamp: pesquisadora presa e amostras recuperadas após 40 dias
Furto de vírus H1N1 e H3N2 na Unicamp: pesquisadora presa

Furto de vírus H1N1 e H3N2 em laboratório de alta segurança da Unicamp gera investigação da Polícia Federal

Amostras dos vírus Influenza H1N1 e H3N2, conhecidos por causarem a gripe tipo A sazonal, estavam entre o material biológico furtado do Laboratório de Virologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Conforme apuração detalhada, os micro-organismos foram transportados sem autorização para outros laboratórios da instituição e permaneceram desaparecidos por quarenta dias, levantando preocupações sobre riscos à saúde pública.

Pesquisadora presa e marido investigado

A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante pela Polícia Federal após a localização das amostras. Ela responderá em liberdade pelos crimes de furto, colocar a saúde das pessoas em risco e transporte sem autorização de material geneticamente modificado. A defesa da docente alega falta de materialidade na acusação, argumentando que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria.

Além disso, a PF informou que o marido da pesquisadora, Michael Edward Miller, médico veterinário e doutorando em Genética e Biologia Molecular na Unicamp, também está sendo investigado por suspeita de envolvimento no caso. A corporação não detalhou as acusações específicas contra ele, mas confirmou que descarta qualquer risco de contaminação externa à população.

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Recuperação das amostras e classificação de risco

O material furtado foi recuperado pela Polícia Federal em três locais distintos dentro da universidade:

  • Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): diversas caixas com amostras em tubetes foram encontradas em um freezer lacrado.
  • Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): tubetes manipulados e abertos foram localizados no espaço reservado a Soledad dentro do freezer de outra professora.
  • Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): uma grande quantidade de frascos descartados foi achada em uma lixeira.

Segundo o professor José Luiz Modena, da Unicamp, os vírus H1N1 e H3N2 são classificados como agentes nível 2 de biossegurança, representando risco moderado ou brando para trabalhadores e o ambiente. Eles estão associados à gripe sazonal que acomete humanos anualmente, principalmente durante o inverno.

Laboratório de alto nível de biossegurança

O Laboratório de Virologia da Unicamp opera com nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto disponível atualmente no Brasil para o estudo de agentes infecciosos como vírus e bactérias. Esse nível exige protocolos rigorosos, pois os agentes apresentam alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade, podendo causar doenças graves ou letais, especialmente por transmissão aérea.

Para comparação, a classe de risco 3 inclui exemplos como o Bacillus anthracis e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Enquanto isso, o Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível 4 (máximo) de biossegurança, está em construção em Campinas e tem previsão de conclusão para 2027.

Cronologia do caso e sigilo ministerial

A investigação teve início em 13 de fevereiro de 2026, quando uma pesquisadora autorizada notou o desaparecimento de caixas com amostras virais. Em 23 de março, a PF interditou laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, localizou parte do material e prendeu Soledad. No dia seguinte, o restante das amostras foi encontrado em outro laboratório do Instituto de Biologia.

Todas as amostras recuperadas, que incluíam além dos subtipos do Influenza outros vírus humanos e suínos, foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária. O órgão mantém em sigilo as informações sobre os tipos virais específicos envolvidos no furto, reforçando a seriedade do incidente.

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A suspeita não tinha autorização de acesso aos locais onde as amostras estavam, mas conseguia entrar com a ajuda e consentimento de outros pesquisadores. A Justiça concedeu liberdade à professora, mencionando em decisão que as amostras eram de vírus, o que não diminui a gravidade das acusações.