França indicia dez homens por estupro de menino de cinco anos em caso que envolve 'chemsex'
A Justiça da França formalizou a acusação de dez homens, com idades entre 29 e 50 anos, por supostamente estuprar um menino de apenas cinco anos de idade. O caso, divulgado oficialmente nesta terça-feira, 3 de fevereiro, pelo Ministério Público francês, chocou o país e expôs uma rede criminosa que utilizava drogas com finalidade sexual, prática conhecida como chemsex.
Investigação revela detalhes chocantes do crime
De acordo com as informações da Promotoria, a investigação teve início em 15 de fevereiro do ano passado, após a denúncia de uma festa ocorrida na noite anterior em Lille, no norte da França. Durante o evento, que incluía a prática de chemsex, o pai da criança teria colocado o filho em contato com homens adultos, onde o menino sofreu violência sexual qualificada pelo uso de substâncias químicas.
O Ministério Público detalhou ainda que os fatos investigados não se limitam a essa única ocasião. Entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, ocorreram outros episódios envolvendo estupro e agressão sexual com administração de substâncias à vítima, sem seu conhecimento, com o objetivo de reduzir seu discernimento ou o controle de seus atos.
Pai da criança entre os principais acusados
O pai do menino foi indiciado por agressão sexual incestuosa e por participação em estupros e agressões sexuais qualificadas em prejuízo de seu filho. A criança, atualmente sob os cuidados da mãe – que se separou do pai antes dos acontecimentos investigados –, tornou-se o centro de um dos casos mais perturbadores dos últimos anos na França.
Entre os dez indiciados, um caminhoneiro de 30 anos, que foi formalmente acusado em janeiro, responde não por participação direta nos atos, mas por ter recebido um vídeo relacionado ao caso e não ter comunicado o fato às autoridades, conforme revelado pelo jornal regional Dernières Nouvelles d'Alsace.
Contexto de casos similares na França
Este caso surge em um momento de maior conscientização na França sobre o uso de drogas para cometer abusos sexuais. Em dezembro de 2024, o francês Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão após admitir que drogou repetidamente sua então esposa, Gisèle Pelicot, e convidou dezenas de homens para violá-la enquanto ela estava inconsciente, entre 2011 e 2020.
Gisèle Pelicot tornou-se um ícone feminista ao tornar seu julgamento público, defendendo que os autores dos abusos – e não as vítimas – é que deveriam sentir vergonha. Além disso, em outro processo de grande repercussão, um tribunal francês considerou um ex-senador culpado de drogar uma política com ecstasy com a intenção de agredi-la sexualmente, condenando-o a 18 meses de prisão.
A investigação atual também revelou que um dos principais suspeitos cometeu suicídio enquanto estava em prisão preventiva em junho do ano passado, acrescentando um trágico capítulo a este caso que continua a mobilizar as autoridades francesas.



