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Fotos inéditas e documentos revelam detalhes da morte de Jeffrey Epstein
O caso Epstein continua a abalar políticos e famílias reais na Europa, com novas revelações chocantes. O governo dos Estados Unidos publicou recentemente fotos inéditas que mostram o corpo de Jeffrey Epstein (1953-2019) sobre uma maca, sendo atendido por médicos imediatamente após sua morte.
Imagens fortes e relatório do FBI
Vinte dessas imagens foram divulgadas como parte de um relatório do FBI sobre a morte de Epstein em custódia, que foi desclassificado. Algumas delas são consideradas muito fortes para publicação ampla. Junto com as fotos, também foi liberado um exame post-mortem e documentos internos da prisão.
Estes materiais fazem parte de milhões de documentos publicados na sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça americano, no mais recente lote de arquivos relacionados a Epstein.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela na prisão no dia 10 de agosto de 2019. Ele estava detido no Centro Correcional Metropolitano de Nova York, nos Estados Unidos, enquanto aguardava julgamento por acusações de conspiração e tráfico sexual.
Detalhes do relatório investigativo
O relatório do FBI recém-publicado é intitulado "Investigação sobre a morte de Jeffrey Epstein" e consiste em 23 páginas, cada uma agora carimbada como "desclassificada". A BBC Verify analisou os documentos, que não foram editados e mostram imagens em close do pescoço de Epstein com sinais visíveis de lesões.
As fotos mostram Epstein deitado sobre uma maca, com médicos tentando ressuscitá-lo. Elas são datadas de 10 de agosto de 2019, com indicação horária de 06:49, hora local - aproximadamente 16 minutos depois que ele foi encontrado desacordado em sua cela.
A localização exata das fotos não está totalmente clara, mas Epstein foi transportado às 06h39 para um hospital próximo, onde foi declarado morto. Esta informação sugere que as imagens teriam sido tiradas no hospital.
Lesões e documentos complementares
Três outras fotos têm indicações de terem sido tiradas em ambiente hospitalar e mostram um close da cabeça de Epstein, com uma lesão visível no pescoço. Curiosamente, em algumas das imagens, seu primeiro nome aparece erroneamente como "Jeffery" em vez de Jeffrey.
Os arquivos também incluem um relatório post-mortem de Epstein de 89 páginas, preparado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pelo Escritório do Examinador Médico-Chefe de Nova York. Partes deste exame mostram imagens de duas fraturas da cartilagem da tireoide de Epstein em seu pescoço.
Cronologia da detenção e vigilância
O relatório do FBI contém uma linha cronológica de seis páginas cobrindo o período de detenção de Epstein no Centro Correcional Metropolitano de Nova York. Ela documenta desde sua prisão em 6 de julho de 2019 até sua morte.
O documento revela que Epstein foi colocado em vigilância por risco de suicídio após uma tentativa de autoflagelação em 23 de julho de 2019. Na ocasião, Epstein acusou seu colega de cela, o ex-policial Nicholas Tartaglione (acusado de assassinato), de tentar matá-lo.
Em uma reunião com um psicólogo no dia seguinte, Epstein declarou que "não tinha interesse" em se matar e que tirar a própria vida "seria uma maluquice". Dois dias depois, em 25 de julho, ele afirmou estar "muito dedicado a lutar pelo meu caso. Tenho uma vida e quero voltar a vivê-la", segundo o relatório psicológico.
Falhas na segurança da prisão
Outros documentos publicados mostram que um guarda da prisão alertou que Epstein não deveria ser mantido sozinho. Ele enfatizou a necessidade de "verificações a cada 30 minutos" em sua cela e a realização de "rodadas não anunciadas".
O colega de cela de Epstein foi liberado no dia anterior à sua morte. Na noite de 9 de agosto, os guardas deixaram de realizar as verificações programadas para as 3h e 5h, segundo os documentos da prisão. Além disso, o sistema de câmeras da unidade estava desligado naquele período.
Seu corpo foi encontrado durante uma verificação matinal realizada pelos funcionários da prisão.
Versões editadas e não editadas
Uma segunda versão editada do mesmo relatório do FBI, com apenas 17 páginas, também foi publicada como parte dos arquivos de Epstein. Esta versão não inclui o relatório do psicólogo, nem o cronograma da detenção, e as imagens do arquivo estão editadas.
Não se sabe ao certo por que versões editadas e não editadas do relatório foram incluídas nos arquivos. A BBC entrou em contato com o Departamento de Justiça pedindo comentários, mas não obteve resposta. O FBI se recusou a comentar o assunto.
A BBC Verify realizou buscas reversas de imagens das fotos recém-publicadas do corpo de Epstein e não encontrou versões anteriores publicadas na internet antes de 30 de janeiro, confirmando a natureza inédita deste material.



