FBI investiga ex-chefe de contraterrorismo dos EUA por suposto vazamento de informações
O FBI abriu oficialmente uma investigação criminal contra Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, por um alegado vazamento de informações confidenciais. A abertura do inquérito foi divulgada inicialmente pelo portal de notícias americano Semafor nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, e posteriormente confirmada por veículos de comunicação como a emissora CBS e o jornal The New York Times.
Contexto da renúncia e críticas à política externa
A investigação do FBI surge logo após a renúncia polêmica de Kent, que deixou o cargo na terça-feira, 17 de março, por não concordar com a postura do governo do presidente Donald Trump em relação ao Irã. Em sua carta de demissão, o ex-diretor afirmou que não poderia "em sã consciência apoiar a guerra em curso no Irã", argumentando que o país não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos.
Kent, um veterano de 45 anos que integrou as forças especiais Boinas Verdes e participou de missões no Afeganistão e Iraque, foi nomeado diretor do NCTC em julho de 2025. Em suas declarações, ele sugeriu que a entrada dos EUA no conflito foi influenciada por Israel e seu poderoso lobby no país. "Está claro que iniciamos esta guerra por causa da pressão de Israel", afirmou o ex-diretor, membro da base MAGA de apoiadores de Trump.
Reações do governo e suspeitas de retaliação política
A renúncia de Kent expôs rachaduras internas na administração Trump e gerou reações acaloradas. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou as afirmações do ex-diretor como "falsas" e considerou "insultante e ridícula" a sugestão de influência israelense. O próprio presidente Trump se mostrou hostil, declarando que Kent era "muito fraco em matéria de segurança" e que sua saída era "algo bom".
Analistas políticos apontam que a investigação do FBI levanta suspeitas de possível retaliação governamental contra uma autoridade que desafiou publicamente o presidente. Desde o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, o FBI e o Departamento de Justiça têm sido frequentemente acusados de mirar críticos e adversários políticos, com uma série de investigações sendo abertas sem evidências suficientes para sustentar acusações criminais formais.
Detalhes da investigação e acusações de vazamentos
A Divisão Criminal do FBI está analisando a possibilidade de Kent ser responsável por repassar informações sensíveis, embora detalhes específicos sobre o conteúdo dos supostos vazamentos não tenham sido divulgados publicamente. O inquérito se alinha a comentários feitos pelo ex-vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Taylor Budowich, que acusou Kent de estar frequentemente no centro de vazamentos de segurança nacional.
Em um post na rede social X na terça-feira, 17, Budowich afirmou: "Joe Kent é um egomaníaco desvairado que frequentemente estava no centro de vazamento de segurança nacional, embora raramente (ou nunca?) produzisse qualquer trabalho de fato". A declaração foi feita poucas horas após a renúncia do ex-diretor.
Análise de inteligência contradiz narrativa governamental
A posição de Kent sobre a ausência de ameaça iminente do Irã recebeu reforço da análise anual de ameaças dos Estados Unidos. A diretora de Inteligência, Tulsi Gabbard, escreveu em documento oficial que, após a Operação Martelo da Meia-Noite em junho de 2025, o programa nuclear iraniano foi "aniquilado" e não houve esforços para reconstruir sua capacidade de enriquecimento.
Esta avaliação contradiz diretamente as reiteradas afirmações do presidente Trump de que o Irã representava uma "ameaça iminente" capaz de desenvolver uma bomba nuclear "dentro de duas semanas". A divergência entre a análise técnica da comunidade de inteligência e a narrativa política do governo contribui para o clima de tensão que envolve o caso.
A investigação do FBI contra Joe Kent continua em andamento, enquanto observadores acompanham os desdobramentos que podem impactar tanto a política de contraterrorismo dos Estados Unidos quanto as dinâmicas internas do governo Trump.



