Ex-presidente sul-coreano pede desculpas após condenação à prisão perpétua por golpe de Estado
Ex-presidente sul-coreano pede desculpas após prisão perpétua

Ex-presidente sul-coreano emite pedido de desculpas após condenação histórica por insurreição

O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, apresentou um pedido formal de desculpas nesta sexta-feira (19), apenas um dia após receber uma condenação histórica à prisão perpétua por liderar uma tentativa de golpe de Estado através da declaração de lei marcial em 2024. Em comunicado divulgado por meio de seu advogado, o ex-líder expressou profundo arrependimento pelas consequências de suas ações.

Pedido de desculpas e justificativas do ex-líder

"Peço profundas desculpas ao povo pela frustração e pelas dificuldades que causei, devido às minhas próprias falhas, apesar da minha determinação em salvar a nação", afirmou Yoon em sua declaração pública. O ex-presidente, que já havia sido condenado a cinco anos de prisão por crimes relacionados à obstrução da justiça em janeiro, agora enfrenta a sentença máxima pelo crime de insurreição.

A Justiça sul-coreana considerou Yoon culpado por liderar uma insurreição através da declaração de lei marcial que mergulhou o país em uma profunda crise política. A promotoria havia solicitado a pena de morte para o caso, argumentando que o ex-presidente não demonstrou "remorso" por ações que ameaçaram diretamente a "ordem constitucional e a democracia" do país.

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Contexto legal e histórico da condenação

Mesmo que a pena de morte tivesse sido aplicada, era altamente improvável sua execução, já que a Coreia do Sul mantém uma moratória não oficial sobre execuções desde 1997. A condenação à prisão perpétua representa um marco histórico no sistema jurídico sul-coreano, especialmente por envolver um ex-chefe de Estado.

Yoon Suk Yeol decretou a lei marcial na Coreia do Sul em 3 de dezembro de 2024, numa tentativa de fechar o Parlamento e limitar direitos civis da população. No entanto, com a resistência massiva dos legisladores e da população, a medida foi derrubada poucas horas depois, mas não sem antes causar uma grave crise política.

Defesa do ex-presidente e alegações de inconstitucionalidade

O ex-líder alega que a declaração da lei marcial foi um exercício legal de sua autoridade presidencial. Durante os julgamentos, ele insistiu que "o exercício dos poderes constitucionais de emergência de um presidente para proteger a nação e manter a ordem constitucional não pode ser considerado um ato de insurreição".

Yoon acusa o então partido da oposição de ter imposto uma "ditadura inconstitucional" ao controlar o Legislativo. Em sua opinião, "não havia outra opção a não ser despertar o povo, que é soberano". A defesa do ex-presidente afirmou que a decisão judicial "apenas confirmou um roteiro pré-escrito" e que "não é baseada em evidências no caso".

Detalhes das acusações e processo judicial

O ex-presidente foi considerado culpado por não seguir o devido processo legal antes de declarar a lei marcial e por outros crimes relacionados à obstrução de Justiça. As acusações específicas incluem:

  • Excluir funcionários do governo de uma reunião sobre os preparativos para a imposição da lei marcial
  • Fabricar um documento oficial relacionado à declaração da lei marcial
  • Impedir que investigadores o prendessem, escondendo-se por semanas na residência oficial sob proteção de sua guarda pessoal
  • Destruir possíveis provas criminais ao ordenar a eliminação de registros telefônicos oficiais

O juiz Baek Dae-hyun declarou durante a sentença: "Apesar de ter o dever, acima de todos os outros, de defender a Constituição e observar o Estado de Direito como presidente, o réu demonstrou uma atitude que desrespeitou a Constituição. (...) A culpabilidade do réu é extremamente grave". No entanto, o magistrado acrescentou que Yoon não foi considerado culpado de falsificação de documentos oficiais devido à falta de provas concretas.

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Processos anteriores e situação atual

Esta condenação representa o desfecho do primeiro de oito julgamentos criminais aos quais Yoon responde na Justiça sul-coreana. A sentença de prisão perpétua é menor do que os dez anos de prisão solicitados pela Promotoria em processos anteriores, mas reflete a gravidade das acusações de tentativa de golpe contra o Parlamento.

Yoon Suk Yeol já está preso desde julho de 2025, tornando-se o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser detido. Antes de ir à prisão, ele resistiu semanas em sua residência graças à proteção do corpo de segurança presidencial, o que também foi considerado como obstrução à Justiça.

A defesa do ex-presidente afirmou que irá discutir com Yoon se deve recorrer da decisão de prisão perpétua. Em audiências anteriores do Tribunal Constitucional sul-coreano, Yoon e seus advogados argumentaram que ele nunca teve a intenção de impor totalmente a lei marcial, mas apenas pretendia que as medidas fossem um aviso para quebrar o impasse político que assolava o país.