Caso Epstein: Ex-embaixador britânico renuncia após vazamento de 3 milhões de arquivos
Ex-embaixador renuncia após vazamento de arquivos Epstein

Caso Epstein: Ex-embaixador britânico renuncia após vazamento de 3 milhões de arquivos

O ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, renunciou à Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico, nesta terça-feira (3). A decisão ocorre após novas revelações sobre seus vínculos com o falecido financista Jeffrey Epstein, conforme divulgado pelo jornal The Guardian. A renúncia marca mais um capítulo turbulento na carreira política de Mandelson, que já havia perdido o cargo de embaixador em Washington devido a alegações anteriores sobre essa amizade.

Pressão política e novas revelações

Mandelson deixou o Partido Trabalhista no domingo (1), afirmando que se afastava para evitar "mais constrangimentos" ao partido, que atualmente está no governo. No entanto, ele negou as acusações de que teria recebido pagamentos de Epstein há cerca de duas décadas. As alegações surgem a partir de um conjunto massivo de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que já havia demitido Mandelson do cargo de embaixador em setembro passado, agora enfrenta pressão para garantir que o ex-político preste depoimento nos Estados Unidos sobre o que sabia das atividades de Epstein. Na segunda-feira, Starmer pediu publicamente que Mandelson renunciasse à Câmara dos Lordes, uma câmara não eleita composta por nomeados vitalícios.

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Detalhes dos documentos e alegações financeiras

Os arquivos recém-divulgados incluem centenas de mensagens de texto e e-mails trocados entre Mandelson e Epstein, revelando uma relação próxima. Em 2003, o político britânico se referiu a Epstein como "meu melhor amigo". Além disso, documentos aparentam mostrar extratos bancários de 2003 e 2004 indicando que uma conta de Epstein enviou três pagamentos, totalizando US$ 75 mil, para contas ligadas a Mandelson ou a seu parceiro, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva.

Mandelson questionou a autenticidade desses extratos, afirmando em carta ao Partido Trabalhista que não se recorda de ter recebido o dinheiro e que investigará o caso. Ele também reiterou um pedido de desculpas às vítimas de Epstein, escrevendo: "Enquanto faço isso, não desejo causar mais constrangimento ao Partido Trabalhista".

Implicações políticas e figura controversa

Peter Mandelson, de 72 anos, é uma figura há décadas influente e controversa no Partido Trabalhista. Conhecido como "Príncipe das Trevas" por suas habilidades políticas, ele foi um dos arquitetos do "Novo Trabalhismo" sob Tony Blair. Sua carreira incluiu múltiplos cargos ministeriais e, mais recentemente, o posto de embaixador em Washington, onde ajudou a fechar um acordo comercial com o governo Trump.

No entanto, sua associação com Epstein provou ser um fardo crescente. Além de Mandelson, outras figuras poderosas, como Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III, também enfrentam pedidos para depor sobre Epstein. O ministro Steve Reed declarou que ambos têm uma "obrigação moral" de ajudar as vítimas.

Desfecho e contexto do caso Epstein

Jeffrey Epstein morreu por suicídio em uma cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de abuso sexual de dezenas de meninas. Anos antes, ele havia evitado um processo federal ao se declarar culpado na Flórida por acusações estaduais. A divulgação contínua de documentos mantém o caso sob os holofotes, pressionando figuras públicas a esclarecerem seus vínculos.

Para Mandelson, a renúncia à Câmara dos Lordes implica abrir mão do título de Lord, recebido em 2008. Se ele se recusasse, sua expulsão exigiria um processo legislativo complexo, algo que não ocorre há mais de um século. Enquanto isso, o escândalo continua a reverberar, levantando questões sobre transparência e responsabilidade na política britânica e internacional.

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